A Ponte Ernesto Dornelles, um dos principais símbolos da engenharia e da paisagem da Serra Gaúcha, completa 74 anos nesta segunda-feira, 31 de agosto. Também conhecida como Ponte do Rio das Antas ou Ponte dos Arcos, a estrutura liga Veranópolis a Bento Gonçalves pela BR-470 e passa atualmente por uma ampla obra de reabilitação.

Inaugurada em 1952, em domingo, 31 de agosto, a ponte possui 278 metros de comprimento e nove metros de largura. Seus dois grandes arcos de concreto vencem um vão livre de 186 metros, sem pilares apoiados no leito do Rio das Antas.

Segundo informações do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Sul (Daer), a Ernesto Dornelles foi a primeira ponte do mundo construída com arcos paralelos. A obra tornou-se tão representativa para a engenharia gaúcha que sua imagem passou a integrar o símbolo do órgão.

A história da travessia começou ainda em 1942 e também foi marcada por uma tragédia. Em 1944, na terça-feira, 18 de janeiro, parte da estrutura provisória utilizada na primeira solução projetada para a ponte desabou. Seis trabalhadores morreram e outros ficaram feridos. Posteriormente, o projeto foi reformulado até chegar ao modelo de arcos que permanece até hoje.

Ponte passa por ampla recuperação estrutural

Mais de sete décadas depois da inauguração, a Ponte Ernesto Dornelles vive uma nova fase. Desde segunda-feira, 23 de junho, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) executa uma obra de reabilitação dentro do Programa de Manutenção e Reabilitação de Estruturas (Proarte).

O investimento federal é de aproximadamente R$ 12,9 milhões.

Os trabalhos incluem reforço de pilares, vigas e pendurais, renovação do pavimento de concreto, tratamento de fissuras, recomposição de áreas deterioradas e reparos nas armaduras. Também está prevista a utilização de fibra de carbono para ampliar a resistência das vigas.

Os pendurais, responsáveis por transmitir aos arcos as cargas do tabuleiro da ponte, recebem novas armaduras e envelopamento em concreto.

Em março, a última atualização percentual oficial divulgada pelo DNIT apontava aproximadamente 56% de avanço físico da reabilitação, enquanto cerca de 75% do novo pavimento já estava executado. O cronograma inicial previa o encerramento dos trabalhos até o fim do primeiro semestre, mas os serviços seguiram em andamento.

Em julho, equipes ainda atuavam na parte inferior da ponte e no reforço dos elementos estruturais. Mais recentemente, em terça-feira, 11 de agosto, foi informado o início da protensão dos novos tirantes dos pendurais, após a perfuração dos arcos, instalação dos dispositivos e encamisamento dos elementos com microconcreto.

Nova ponte também chegou a ser estudada pelo DNIT

Após os eventos climáticos extremos de 2024, que provocaram grandes deslizamentos e atingiram inclusive uma das cabeceiras da Ponte Ernesto Dornelles, o DNIT passou a avaliar a possibilidade de construção de uma nova ponte sobre o Rio das Antas, ao lado da estrutura histórica.

Em abril de 2025, o órgão informou que analisava a viabilidade técnica e econômica da nova travessia e comparava os investimentos necessários.

A possibilidade de uma nova ponte não foi oficialmente descartada em razão da recuperação da estrutura atual. Mesmo após o início das obras de reabilitação, os estudos para uma nova travessia continuavam sendo tratados paralelamente, dependendo de decisão futura do Governo Federal.

Trânsito funciona em sistema de Pare e Siga

Com o avanço das obras na Serra das Antas, o DNIT encerrou em julho o sistema de comboios com horários fixos.

Desde quinta-feira, 2 de julho, o trecho da BR-470 entre Veranópolis e Bento Gonçalves passou a operar em sistema de Pare e Siga durante o período diurno. Conforme a programação divulgada pelo órgão, permanece o bloqueio total da rodovia entre 23h e 6h.

Ao completar 74 anos, a Ponte Ernesto Dornelles permanece como uma das principais ligações rodoviárias da Serra Gaúcha e um dos cartões-postais mais conhecidos da região. A recuperação estrutural busca ampliar a segurança e prolongar a vida útil de uma obra que se tornou referência da engenharia nacional.

A Ponte Ernesto Dornelles não deve ser confundida com outra travessia sobre o Rio das Antas, entre Cotiporã e Bento Gonçalves, no acesso à ERS-431. Essa estrutura também entrou em pauta após danos provocados pelas cheias, com estudos voltados à recuperação e à possibilidade de implantação futura de uma ponte em cota mais elevada.