Conselho do MPF tem três votos para manter Gonet à frente do caso Master
Análise envolve representação apresentada pelo Partido Novo que questiona a atuação do procurador-geral da República nas investigações relacionadas ao Banco Master
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) contabilizava, nesta sexta-feira, 25 de setembro, três votos no sentido de rejeitar o pedido de afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, das investigações relacionadas ao caso Master.
A posição do relator, o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, foi pelo arquivamento integral da notícia-crime apresentada pelo Partido Novo. A legenda levantou suspeitas sobre a atuação de Gonet na condução do caso.
Também votaram no sentido de manter Gonet no caso os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari. Ascari, no entanto, divergiu quanto ao arquivamento integral, ao considerar que determinados pontos ainda deveriam ser esclarecidos.
A análise da representação começou na manhã desta sexta-feira. Após a manifestação dos três primeiros integrantes, a sessão foi interrompida para intervalo e deveria ser retomada posteriormente.
O Conselho Superior do MPF é composto por nove subprocuradores-gerais da República e tem, entre suas atribuições, a autorização para investigações que tenham o procurador-geral da República como alvo.
A representação apresentada pelo Partido Novo se baseia em menções a Gonet encontradas em anotações e mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular apreendido de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Vorcaro é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras. Ele está preso preventivamente desde novembro de 2025.
Em seu voto, Sanseverino afirmou que a representação não apresentou elementos suficientes para sustentar suspeita de prática criminosa pelo procurador-geral. Segundo o relator, mensagens e anotações não devem ser analisadas de forma isolada ou fora de contexto.
Sanseverino também considerou que a atuação da Procuradoria-Geral da República no caso respeitou os princípios legais e a independência funcional.
Entre os pontos analisados está a decisão de Gonet de não concordar inicialmente com a prisão preventiva de Vorcaro, determinada em novembro de 2025 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a defesa apresentada por Gonet, a discordância ocorreu porque a PGR teria recebido prazo de 72 horas para analisar milhares de páginas de documentação relacionadas a pedidos de prisão de dez pessoas. O relator considerou a justificativa compatível com a atuação posterior da PGR, que, em outras ocasiões, se manifestou pela manutenção da prisão preventiva de Vorcaro.
Outro ponto analisado foi uma fotografia de 2024 em que Gonet aparece em um encontro social que também contou com a presença de Vorcaro. Para Sanseverino, o registro não seria suficiente, por si só, para demonstrar vínculo de amizade íntima entre os dois.
O relator também apontou que não foi identificado registro de comunicação direta entre Vorcaro e Gonet.
As investigações ganharam novos desdobramentos após o ministro André Mendonça levantar, em terça-feira, 1º de setembro, o sigilo de um relatório com mensagens que, segundo a Polícia Federal, teriam sido enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
Como procurador-geral da República, Paulo Gonet é responsável por se manifestar sobre diligências e possíveis crimes em investigações criminais que tramitam no STF.
Fonte: Agência Brasil.
