O agronegócio gaúcho enfrenta uma nova preocupação às vésperas da semeadura da safra de verão: a dificuldade para encontrar óleo diesel em áreas do interior e em regiões produtoras de arroz. A Farsul afirma que a escassez já coloca em risco o ritmo das atividades no campo e levou representantes da entidade a Brasília para reuniões com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e com o Ministério de Minas e Energia.

Segundo a federação, o problema atinge principalmente produtores que compram combustível no mercado livre, sem contratos regulares de fornecimento. Nesse cenário, o diesel S500 estaria desaparecendo de alguns pontos de venda, enquanto o S10 apresenta oferta considerada crítica. A entidade também relaciona a redução das importações à diferença entre os preços praticados no Brasil e no mercado internacional, o que teria diminuído o interesse de empresas privadas em trazer o produto do exterior.

A preocupação aumenta porque o país depende de uma parcela relevante de diesel importado para completar o consumo interno. Para o setor rural, a falta do combustível ocorre justamente em uma fase em que máquinas agrícolas precisam operar de forma intensa no plantio de culturas como soja e arroz, dentro de uma janela de tempo limitada e ainda sujeita às incertezas provocadas pelo El Niño.

O Sindipetro-RS, porém, contesta que a origem da crise esteja na produção da Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas. Com base em levantamento do Ineep, a entidade afirma que a Refap produziu entre janeiro e julho volume superior ao consumo do Rio Grande do Sul e que a Petrobras teria cumprido seus contratos de entrega. Para o sindicato, a explicação para o gargalo deve ser buscada na distribuição, com maior transparência sobre cotas, repasses e volumes destinados ao mercado rural.