Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa; Ministério Público investiga
Visitante sofreu traumatismo cranioencefálico, passou por sete cirurgias e ficou 57 dias na UTI; empreendimento afirma que atração segue normas nacionais e internacionais de segurança
O Ministério Público de São Paulo instaurou procedimento para investigar as circunstâncias de um grave incidente envolvendo uma jovem na montanha-russa Montezum, localizada em um parque de diversões de Vinhedo (SP). Após utilizar a atração, a visitante apresentou comprometimento parcial dos movimentos, além de alterações na fala e na memória.
Identificada como Júlia, a jovem havia viajado de Londrina (PR) com o companheiro para visitar o local. Conforme as informações divulgadas, o casal utilizou a Montezum pela manhã sem intercorrências. Ao retornar à atração no fim da tarde para uma segunda volta, Júlia desembarcou desacordada e apresentando convulsões.
A visitante recebeu os primeiros atendimentos no ambulatório do parque e foi encaminhada em estado grave para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada por 57 dias.
De acordo com informações médicas citadas pela reportagem, exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral associados a um traumatismo cranioencefálico (TCE). O neurocirurgião responsável pelo atendimento relatou que o quadro teria ocorrido por um mecanismo de contragolpe relacionado às oscilações de velocidade e às frenagens.
Para controlar o inchaço cerebral, Júlia precisou passar por uma craniectomia descompressiva, procedimento que envolve a retirada temporária de parte do crânio. Ao longo de cinco meses de tratamento, a jovem teria sido submetida a sete intervenções cirúrgicas.
A família ingressou com uma ação judicial solicitando a realização de perícia técnica na estrutura da montanha-russa, enquanto o Ministério Público apura as circunstâncias do episódio.
A Montezum também aparece em relatos de ocorrências anteriores. Em 2018, segundo as informações apresentadas, uma visitante sofreu uma lesão cervical após utilizar a atração e precisou passar por procedimento cirúrgico. Outro caso, registrado em 2014, envolveu um visitante que ficou tetraplégico após andar no brinquedo e morreu anos depois em decorrência de complicações de saúde.
Também há relatos publicados em plataformas de defesa do consumidor envolvendo dores cervicais e outras lesões atribuídas por usuários ao percurso da atração. Essas manifestações, entretanto, representam relatos individuais e não constituem, por si só, comprovação de falha técnica no equipamento.
Em nota, a administração do parque afirmou que a Montezum cumpre as normas nacionais da ABNT e possui certificações internacionais, além de passar por rotinas de inspeção diária, semanal e anual de seus componentes mecânicos, elétricos e estruturais.
A empresa também declarou que um parecer recente do Ministério Público teria afastado, até aquele momento, indícios de defeito de projeto, negligência estrutural ou risco coletivo. Segundo a administração, as reclamações registradas representam uma parcela pequena diante de mais de 1,2 milhão de passageiros que utilizaram a atração no período citado.
A administração informou ainda que prestou atendimento médico imediato à jovem, disponibilizou cobertura securitária e custeou despesas hospitalares relacionadas ao atendimento realizado em Vinhedo.
As circunstâncias do caso seguem sob investigação.
Fonte: Portal Terra e TV Globo.
