MPT processa Havan e Luciano Hang por suposto assédio eleitoral e pede R$ 30 milhões
Ação foi apresentada à Justiça do Trabalho em Goiânia após discurso do empresário a funcionários sobre o fim da escala 6×1; Hang nega ter tentado direcionar votos
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública contra a Havan e o empresário Luciano Hang, sob acusação de suposto assédio eleitoral, e pede R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O processo tem origem em um discurso realizado em 29 de agosto durante a inauguração de uma loja da rede em Caldas Novas, Goiás, quando Hang falou a trabalhadores recém-contratados sobre a proposta de encerramento da escala 6×1 e relacionou a discussão às eleições de outubro e a possíveis impactos sobre emprego e renda. Para o MPT, a forma como o assunto foi apresentado teria criado pressão sobre a liberdade de escolha política dos funcionários.
Além da indenização coletiva, o Ministério Público pede que Havan e Hang sejam responsabilizados solidariamente por indenizações individuais equivalentes a pelo menos 20 vezes o último salário de cada empregado atingido. A ação também solicita a gravação de um vídeo de retratação, medidas internas para impedir interferência política sobre funcionários e a garantia de liberação dos trabalhadores nos dias de votação, sem desconto salarial. O processo foi apresentado à Justiça do Trabalho em Goiânia, que ainda deverá analisar os pedidos e as alegações das partes.
Luciano Hang contesta a acusação e afirma que apenas manifestou sua opinião sobre uma proposta em debate no país. Segundo o empresário, não houve pedido de voto, indicação de candidato ou partido nem orientação sobre como os funcionários deveriam votar. A defesa sustenta que as declarações estão protegidas pela liberdade de expressão e rejeita a caracterização de assédio eleitoral. A definição sobre eventual responsabilidade da empresa e do empresário dependerá da tramitação e das decisões da Justiça do Trabalho.
