Operação Lance Cego mira grupo suspeito de aplicar falso leilão e causar prejuízo de R$ 1 milhão
Polícia Civil gaúcha cumpre mandados em cidades de São Paulo após identificar cerca de 90 vítimas de uma fraude com sites falsos de venda de veículos
Uma investigação iniciada em Canoas levou a Polícia Civil do Rio Grande do Sul a deflagrar, nesta quinta-feira (24), a Operação Lance Cego, contra um grupo suspeito de aplicar golpes por meio de falsas plataformas de leilão de veículos. A ofensiva prevê 15 mandados de prisão temporária e 22 de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias ligadas ao esquema. As ordens judiciais são cumpridas em São Paulo, Diadema, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires, e sete pessoas haviam sido presas até a atualização divulgada pela polícia.
A apuração começou depois que um morador de Canoas relatou ter perdido R$ 51.739,80 ao acreditar que havia adquirido um Nissan Kicks em um leilão online. Depois do pagamento, os responsáveis pela negociação ainda solicitaram outros R$ 5.711, sob a alegação de que o valor seria necessário para quitar ICMS e liberar o automóvel. A nova cobrança despertou a desconfiança da vítima, que procurou a polícia e descobriu que o veículo jamais seria entregue.
Segundo os investigadores, a fraude utilizava sites com aparência profissional, documentos falsificados, contatos por telefone e WhatsApp e linguagem semelhante à de empresas legítimas. Os suspeitos teriam funções diferentes dentro do esquema, incluindo abordagem das vítimas, administração financeira e desenvolvimento das páginas fraudulentas. A investigação identificou cerca de 90 pessoas prejudicadas em diferentes Estados, com perdas que, somadas, chegam a aproximadamente R$ 1 milhão.
A operação é conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com apoio de equipes especializadas em crimes cibernéticos e da Polícia Civil paulista. Durante a apuração, os agentes também encontraram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a condição econômica de alguns investigados. A página falsa utilizada no esquema já foi retirada do ar, enquanto a polícia segue analisando contas bancárias e outros elementos para esclarecer a participação de cada integrante na estrutura suspeita de fraude.
