A Polícia Federal (PF) enviou aos gabinetes dos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a íntegra do material extraído do celular apreendido de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do antigo Banco Master.

A entrega foi confirmada nesta segunda-feira, 14 de setembro, após os dois ministros terem solicitado formalmente o envio dos dados. O material será analisado antes de um julgamento marcado para terça-feira, 15 de setembro, no plenário do STF.

Segundo a Agência Brasil, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, havia manifestado resistência à liberação integral do conteúdo. No sábado, 13 de setembro, ele afirmou que a disponibilização poderia colocar investigações em andamento em risco e tumultuar o julgamento.

Gilmar Mendes e Cristiano Zanin sustentam que precisam ter acesso a todas as mensagens atribuídas a Vorcaro, e não apenas ao recorte elaborado pelos investigadores da Polícia Federal.

O ministro Alexandre de Moraes também defendeu o envio do espelhamento do aparelho a todos os integrantes da Corte, argumentando que não caberia ao relator definir quais documentos poderiam ser acessados pelo colegiado.

STF deve analisar possível investigação

O plenário do Supremo deverá avaliar se será aberta ou não uma investigação sobre uma suposta ligação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

De acordo com relatório da Polícia Federal citado pela Agência Brasil, Vorcaro teria enviado 52 mensagens a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Ainda segundo o relatório, algumas mensagens fariam referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, Vorcaro teria buscado informações relacionadas a uma operação policial.

Alexandre de Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro. A Polícia Federal informou que não conseguiu recuperar eventuais respostas do interlocutor ao ex-banqueiro.

O Supremo ainda não havia esclarecido, até a publicação da reportagem original, qual seria o rito adotado no julgamento nem se Alexandre de Moraes e André Mendonça participariam da sessão.

Além disso, os ministros deverão analisar um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o relatório da PF. A PGR questiona a forma como o documento foi produzido e sustenta que o avanço das apurações envolvendo um integrante da Corte deveria ter sido submetido previamente ao plenário.

Fonte: Agência Brasil