Polícia investiga recrutamento de jovens para o tráfico por WhatsApp no RS
Investigação aponta que lideranças continuavam atuando de dentro de presídios e utilizavam aplicativos e redes sociais para aliciar adolescentes e jovens na Fronteira Oeste
A Polícia Civil investiga a atuação de um grupo suspeito de recrutar adolescentes e jovens por meio do WhatsApp e das redes sociais para atuar no tráfico de drogas em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A apuração integra a Operação Criminal Influencer, deflagrada no início de setembro.
Segundo o delegado Adriano Linhares, responsável pela investigação, dois dos principais investigados continuavam exercendo funções de liderança mesmo dentro do sistema prisional. Eles estavam recolhidos na Penitenciária Modulada Estadual de Uruguaiana e no Presídio Regional de Bagé.
Conforme a Polícia Civil, os investigados utilizariam celulares, aplicativos de mensagens e redes sociais para manter contato com outros integrantes do grupo. A suspeita é de que participassem do recrutamento de novos membros, da organização da hierarquia e da orientação de atividades relacionadas ao tráfico de drogas.
Entre os recrutados estariam adolescentes e jovens adultos, especialmente pessoas com idades entre 18 e 25 anos.
A investigação aponta ainda que havia uma divisão de tarefas dentro do grupo. Alguns integrantes seriam responsáveis pelo armazenamento de drogas, enquanto outros atuariam na distribuição, comercialização e gerenciamento da atividade.
Os investigadores sustentam que membros mais experientes continuavam exercendo influência sobre os mais jovens, inclusive a partir de unidades prisionais.
Operação teve prisões no Brasil e no Uruguai
A Operação Criminal Influencer foi deflagrada na sexta-feira, 4 de setembro. No balanço divulgado naquele dia, oito pessoas haviam sido presas: cinco em Santana do Livramento, uma em Rio Grande, uma em Uruguaiana e outra em Rivera, no Uruguai.
Também foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, inclusive em estabelecimentos prisionais. Atualizações posteriores de outras coberturas chegaram a registrar nove prisões.
Um dos investigados localizado em Rio Grande integraria o grupo e havia sido transferido para a Penitenciária Estadual do município. Em Rivera, a polícia também identificou um suspeito que, conforme a investigação, exerceria influência sobre outros integrantes e participaria do recrutamento e da orientação de pessoas ligadas ao tráfico.
Conversas, Pix e imóveis entram na investigação
Durante as apurações, a Polícia Civil analisou conversas, fotografias, arquivos digitais e movimentações financeiras. Os investigadores identificaram indícios de negociações relacionadas ao tráfico, transferências por Pix e utilização de imóveis para armazenar entorpecentes.
Também foram encontrados indícios de tentativas de dificultar a investigação, como apagamento de mensagens, formatação de celulares e ocultação de dispositivos eletrônicos.
Para a polícia, o ambiente digital teria se tornado uma ferramenta importante tanto para a comunicação entre os integrantes quanto para a aproximação e o recrutamento de novos membros.
Investigação começou após roubo com morte
A apuração que resultou na Operação Criminal Influencer começou durante a investigação de um roubo com resultado morte ocorrido em Santana do Livramento, em agosto de 2025.
Durante as diligências daquele caso, os policiais encontraram indícios da existência de uma estrutura organizada ligada ao tráfico de drogas, o que levou à abertura de uma investigação mais ampla.
Além do tráfico, a Polícia Civil também apura a eventual participação de investigados em homicídios registrados na região da Fronteira da Paz, formada por Santana do Livramento e Rivera.
Celulares e outros materiais apreendidos durante a operação continuam sendo analisados. A investigação busca identificar outros participantes, esclarecer a cadeia de comando e aprofundar a apuração sobre o método utilizado para recrutar adolescentes e jovens.
As investigações seguem em andamento. As responsabilidades individuais ainda dependem da conclusão do inquérito e da análise do Poder Judiciário, com direito de defesa assegurado aos investigados.
Fonte: Polícia Civil e GZH
