Soja no RS alcança 62 sacas por hectare em amostra do Aegro, mas custos recordes pressionam rentabilidade
Levantamento mostra melhor produtividade dos últimos cinco ciclos entre propriedades analisadas, enquanto média estadual ficou abaixo desse patamar
A safra 2025/2026 de soja terminou com resultados distintos entre as propriedades do Rio Grande do Sul. Levantamento do Aegro Insights apontou produtividade média de 62 sacas por hectare nas lavouras analisadas, o melhor desempenho dos últimos cinco ciclos dentro da série acompanhada pela plataforma.
O aumento da produtividade, porém, veio acompanhado de uma forte pressão sobre os custos. Conforme o estudo, o Custo Operacional Efetivo (COE) chegou a R$ 5.023 por hectare, o maior registrado na série pesquisada.
O preço médio da soja considerado na análise foi de R$ 123,67 por saca, elevando o ponto de equilíbrio para 40,6 sacas por hectare. Em outras palavras, esse foi o volume necessário para cobrir os custos operacionais. Na safra 2019/2020, o ponto de equilíbrio era de 28,1 sacas por hectare.
Amostra ficou acima da média estadual
Os números do Aegro não representam a média de todas as lavouras gaúchas. O levantamento reuniu informações de 296 safras concluídas entre 2019/2020 e 2025/2026, distribuídas por 83 municípios do Rio Grande do Sul.
Na estimativa estadual mais recente utilizada pela Emater/RS-Ascar, a produtividade da safra passada foi de 2.735 quilos por hectare, o equivalente a aproximadamente 45,6 sacas por hectare, abaixo das 62 sacas registradas na amostra do Aegro.
Mesmo entre as propriedades mais produtivas, os custos tiveram impacto significativo sobre a margem. Segundo o levantamento, os produtores com melhores resultados alcançaram média de 65,8 sacas por hectare, com custo de R$ 58,29 por saca.
Já entre os desempenhos mais baixos, a produtividade ficou em 42 sacas por hectare, enquanto o custo subiu para R$ 117,58 por saca.
Os dados reforçam que, além da produtividade, o controle dos custos passou a ter papel decisivo na rentabilidade da soja.
Safra 2026/2027 pode ter recuperação no RS
Para o próximo ciclo, as estimativas iniciais apontam possibilidade de recuperação da produção gaúcha. A Emater/RS-Ascar projeta 21,15 milhões de toneladas de soja na safra 2026/2027, crescimento de 15,32% em relação à referência utilizada para o ciclo anterior.
A produtividade esperada é de 3.183 quilos por hectare, avanço de 16,37%. Já a área cultivada deve apresentar redução de 0,92%, ficando em aproximadamente 6,64 milhões de hectares.
Clima será determinante para a próxima safra
As condições climáticas deverão ter novamente papel central no desempenho das lavouras. As projeções meteorológicas consideradas no levantamento indicam forte possibilidade de atuação do El Niño durante a primavera e o verão de 2026/2027.
Na Região Sul, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva acima da média. A maior disponibilidade de água pode favorecer as lavouras em comparação com ciclos marcados por estiagem, mas também pode elevar os riscos de chuvas excessivas, temporais e dificuldades nas operações de campo.
Diante desse cenário, a próxima safra começa com expectativa de recuperação da produtividade, mas a rentabilidade continuará dependendo de fatores como preço da soja, custos dos insumos, comportamento do clima e eficiência de gestão das propriedades.
Os resultados da última temporada mostram que produzir mais não significa, necessariamente, obter uma margem maior.
Fontes: Aegro Insights, Emater/RS-Ascar, INMET e INPE
