Crime da Mala: acusado de matar e esquartejar companheira em Porto Alegre irá a júri popular
Justiça determina que publicitário de 66 anos responda por feminicídio e outros sete crimes; cabeça da vítima permanece desaparecida e acusado seguirá preso
A Justiça decidiu, nesta quarta-feira, 14 de outubro, que o publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos, será levado a júri popular pelo assassinato de sua companheira, Brasília Costa, de 65 anos, em Porto Alegre. O caso, conhecido como “Crime da Mala”, ganhou repercussão após partes do corpo da vítima serem encontradas em diferentes regiões da capital gaúcha, em 2025. Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o feminicídio teria ocorrido entre os dias 8 e 12 de agosto daquele ano, em contexto de violência doméstica e familiar.
A investigação revelou que parte do corpo da vítima foi localizada dentro de uma mala deixada em um guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre, no dia 1º de setembro de 2025. Outros restos mortais foram encontrados em sacolas descartadas na Zona Leste e em dois pontos da Zona Sul da cidade. A identificação de Brasília foi confirmada por exames genéticos, mas a cabeça da vítima permanece desaparecida. Imagens de câmeras de segurança auxiliaram os investigadores a reconstruir os deslocamentos relacionados ao descarte dos restos mortais. Segundo a acusação, o suspeito teria ocultado e espalhado partes do corpo para dificultar as investigações.
Além do feminicídio, Ricardo Jardim responderá por outros sete crimes: vilipêndio de cadáver, ocultação de cadáver, furto, falsificação de documento público, uso de documento falso, falsa identidade e invasão de dispositivo informático. O Ministério Público sustenta que o assassinato teria sido cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O acusado está preso preventivamente desde setembro de 2025, e a Justiça decidiu manter sua prisão. Durante o andamento do processo, em agosto de 2026, ele não compareceu ao interrogatório e informou que não iria se manifestar.
A acusação no Tribunal do Júri ficará sob responsabilidade das promotoras de Justiça Luciana Cano Casarotto e Luciane Wingert, que apresentaram a denúncia em novembro de 2025. Ainda cabe recurso contra a decisão, e a data do julgamento não foi definida. Natural de Arroio Grande, Brasília Costa, conhecida como Bia, trabalhava como manicure em Porto Alegre. Conforme informações divulgadas pela imprensa, ela havia conhecido o acusado durante as enchentes de 2024. A decisão de encaminhar o caso ao júri popular não representa condenação, cabendo aos jurados analisar as acusações e decidir sobre a responsabilidade criminal do réu.
Fonte: Porto Alegre 24 Horas.
