O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar suspeitas de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. Conforme a reportagem da Independente, a decisão desta terça-feira, 27 de outubro, abrange possível financiamento oculto de campanha e atuação de plataformas digitais.

O pedido chegou ao ministro por iniciativa do PT, em uma arguição de descumprimento de preceito fundamental apresentada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Dino considerou que as denúncias precisam ser examinadas em procedimentos próprios de investigação, sob supervisão do STF, e não dentro daquela ação. O ministro também mencionou um relatório anterior às eleições em que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertava para interesses de agentes externos no pleito.

Uma das suspeitas envolve os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang, que, segundo as informações citadas na decisão, teriam atuado em nome da Rockbridge Network para buscar recursos nos Estados Unidos destinados à campanha de Flávio Bolsonaro. A PF deverá esclarecer a natureza dos contatos, seus participantes e eventual relação entre recursos, serviços ou vantagens econômicas e a campanha eleitoral.

Outra frente trata de anúncios sobre a eleição brasileira pagos por perfis sediados no exterior e direcionados ao público brasileiro. Dino mencionou uma representação de Renan Santos (Missão) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com exemplos de publicações que destacavam dados da plataforma de apostas Polymarket favoráveis a Flávio Bolsonaro. A investigação deverá identificar os contratantes, os responsáveis pelos pagamentos e a origem do dinheiro, além de eventual participação consciente de pessoas ou entidades no Brasil.

A decisão também cita suspeitas relacionadas à Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp. Segundo a reportagem, Dino mencionou um documento do Comitê de Supervisão da empresa, de 22 de outubro, e preocupações de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgadas no dia 21. Os relatos incluem interrupções em conta de campanha, restrições a postagens e diferenças de alcance, engajamento, visualizações, buscas e recursos de inteligência artificial. Caberá à PF apurar eventuais manipulações intencionais de algoritmos para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Os investigadores deverão ainda examinar a acusação de que interesses na exploração de terras raras e minerais críticos brasileiros estariam associados a propostas de apoio ou interferência eleitoral. Dino determinou que sejam esclarecidos os autores de eventual oferta, seus destinatários, o instrumento utilizado e a suposta contrapartida, bem como a existência de elementos concretos que conectem esses interesses às tratativas de financiamento político.

Fonte: Independente.