Justiça determina soltura de mãe de menino de três anos morto após agressões do pai no RS
Mulher responderá por quatro crimes de tortura por omissão e deverá cumprir medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com os filhos
A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu liberdade provisória à mãe do menino Oliver Grayson, de três anos, que morreu após ser agredido pelo próprio pai, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A decisão foi tomada na quinta-feira (8) pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da comarca. A mulher, que estava presa preventivamente, continuará respondendo a quatro acusações de tortura por omissão, relacionadas à vítima e aos três irmãos. As acusações de homicídio contra ela foram arquivadas.
Ao substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, a Justiça considerou que as circunstâncias atuais do processo não justificam mais a manutenção da detenção. Entre as determinações estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos dias de folga, além da proibição de contato ou aproximação dos filhos, salvo autorização judicial. A mulher também deverá manter o endereço atualizado, comparecer aos atos processuais, entregar o passaporte e não deixar a comarca de Porto Alegre ou o Brasil sem autorização da Justiça.
O crime ocorreu em 5 de julho de 2026, quando Oliver sofreu agressões que provocaram graves lesões na cabeça. Conforme a investigação, o pai, um missionário norte-americano de 33 anos, teria atacado a criança porque ela não lhe deu bom dia. O menino morreu três dias depois, em 8 de julho, em consequência de um traumatismo cranioencefálico grave. O homem permanece preso preventivamente e responde por homicídio qualificado com dolo eventual e quatro crimes de tortura. Durante as investigações, a Polícia Civil também identificou indícios de agressões recorrentes contra outras crianças da família, incluindo cicatrizes e marcas de lesões antigas.
A investigação apontou ainda suspeitas de que a mãe orientava os filhos a esconder as marcas de violência e a não relatar as agressões a outras pessoas. A defesa da mulher, por sua vez, afirma que ela não teve participação no homicídio do filho e considera que a decisão judicial reconhece a falta de necessidade de manutenção da prisão preventiva. Os advogados ressaltam que a acusada responde exclusivamente por suposta conduta omissiva e sustentam que ela continuará à disposição da Justiça para colaborar com o esclarecimento dos fatos e demonstrar sua inocência durante o processo.
