Lula conquista quarto mandato e enfrentará Congresso com oposição fortalecida
Reeleito após virada no segundo turno, presidente terá de negociar com bancadas conservadoras em um país politicamente dividido.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25) assegurou seu quarto mandato, um feito inédito no país. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), Lula virou a disputa e obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. O resultado, porém, deixa evidente um eleitorado dividido e antecipa dificuldades na relação do governo com o Congresso.
A partir de fevereiro de 2027, o PL terá a maior bancada nas duas Casas legislativas. Na Câmara dos Deputados, a legenda contará com 121 das 513 cadeiras, diante de 70 do PT. No Senado, serão 29 parlamentares do PL, enquanto os petistas terão dez entre os 81 integrantes. A configuração amplia a necessidade de alianças e negociações para que o Executivo consiga aprovar suas propostas.
O comando do Legislativo será outra peça importante desse cenário. Hugo Motta (Republicanos-PB) articula a permanência na presidência da Câmara, enquanto Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) busca se manter à frente do Senado. As movimentações envolvem partidos do Centrão e diferentes grupos de oposição. Após o resultado eleitoral, os dirigentes defenderam diálogo institucional e a redução da polarização.
O novo mandato também será influenciado pelos impasses enfrentados pelo Planalto desde 2023, quando propostas do governo sofreram alterações e derrotas no Parlamento. Em discurso após a reeleição, Lula reconheceu que terá de trabalhar com o Congresso escolhido pelos eleitores. Além de formar maioria para suas iniciativas, o presidente terá o desafio de buscar aproximação entre setores políticos e sociais depois de uma disputa presidencial apertada.
