As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as autorizações pendentes para permitir o levantamento de informações protegidas por sigilo. A formalização ocorreu após um acordo entre os dois candidatos à Presidência, às vésperas do segundo turno. Até esta sexta-feira (23), os dados não haviam sido divulgados publicamente, e não existe uma data prevista para a abertura.

A equipe de Flávio afirma ter apresentado todos os documentos acertados, inclusive uma autorização relacionada à Alcazar Holding, empresa do advogado Willer Tomaz, investigada em inquérito sobre lavagem de dinheiro. A Polícia Federal suspeita de uma participação societária do senador no negócio. Em sua manifestação, a campanha do PL questionou a iniciativa de Lula e cobrou transparência sobre despesas do cartão corporativo da Presidência e registros de visitas ao gabinete.

Já os representantes de Lula declararam ter encaminhado as informações disponíveis sobre o cartão corporativo, agendas, planos de voo e dados do Gabinete de Segurança Institucional, além de documentação referente ao assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Segundo a campanha petista, dados bancários e telefônicos que dependem de requisições a instituições ainda exigem providências formais. O PT pediu que o ministro André Mendonça intermedeie o procedimento para assegurar uma divulgação integral e simultânea.

O impasse ganhou força após o desafio lançado por Lula no debate de domingo (18), quando propôs a abertura dos próprios sigilos e dos de familiares referentes aos últimos oito anos, condicionada à reciprocidade. Flávio respondeu oferecendo autorizações para informações dos últimos 20 anos, incluindo empresas das quais participa, e estabeleceu exigências adicionais, posteriormente aceitas pelo adversário. Apesar do entendimento entre as campanhas, Mendonça avaliou que os candidatos podem divulgar diretamente os dados que desejarem, sem intervenção judicial, enquanto o PT defende a participação do TSE como garantia de imparcialidade.