O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou ministros a reduzir as manifestações sobre a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, segundo reportagem do jornal O Sul publicada nesta quarta-feira (28). Fontes do Planalto ouvidas pelo veículo atribuem a recomendação à preocupação de alimentar acusações de perseguição política contra a família do senador.

A estratégia relatada é concentrar os desdobramentos do caso na Polícia Federal e no Ministério da Justiça. A orientação aos auxiliares ocorre após o próprio Lula criticar publicamente, na terça-feira (27), a decisão do adversário de deixar o país depois da derrota na disputa presidencial.

Conforme a reportagem, aliados de Flávio passaram a recorrer a falas de Lula durante a campanha para justificar a viagem do parlamentar aos Estados Unidos. Entre elas estão declarações no debate da Band sobre o avanço de investigações quando o senador deixasse de ter imunidade parlamentar, em fevereiro de 2027.

O Sul também relata que integrantes do governo avaliam haver desgaste na relação de lideranças do PL com a família Bolsonaro e possibilidade de novas divergências internas. Segundo o jornal, aliados haviam aconselhado Flávio a permanecer no Brasil para organizar a oposição. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, afirmou não ter sido informado sobre a saída do país.