Piloto de balão que caiu em SC e matou oito pessoas é denunciado pelo Ministério Público
Promotoria aponta falhas de segurança e condutas imprudentes na tragédia ocorrida em Praia Grande, em junho de 2025.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou, nesta segunda-feira (26), denúncia contra o piloto do balão que pegou fogo e caiu em Praia Grande, no Sul catarinense, em junho de 2025. A tragédia deixou oito mortos e 12 sobreviventes. O homem, que também administrava a empresa responsável pelo passeio, é acusado de homicídio culposo e lesão corporal culposa, com apontamentos de negligência e imprudência. O órgão também busca reparação por danos morais aos sobreviventes e aos sucessores das vítimas.
A decisão do Ministério Público ocorreu após aprofundamento das investigações, mesmo depois de a Polícia Civil encerrar o inquérito sem indiciamentos, em outubro de 2025. A promotoria solicitou novas diligências e respostas a 16 questões técnicas. Um laudo complementar, finalizado em 22 de setembro de 2026, e depoimentos de mais de 20 pessoas embasaram a denúncia.
De acordo com a acusação, havia no cesto um maçarico acoplado a um frasco de gás inflamável, diferente do acendedor auxiliar previsto pelo fabricante e sem trava de segurança. O Ministério Público sustenta que o equipamento caiu de uma mala, foi acionado e iniciou o incêndio. Também atribui ao piloto falhas na checagem antes da decolagem, na interrupção do fornecimento de gás e nas providências durante o pouso de emergência. Após o primeiro contato com o solo, o balão voltou a subir em chamas com oito passageiros: quatro morreram ao saltar e outros quatro foram carbonizados, segundo a apuração.
A promotoria ainda aponta insuficiência de informações prestadas aos passageiros sobre os riscos da atividade e sobre a ausência de qualificação técnica emitida pela Agência Nacional de Aviação Civil para o operador e a aeronave. A denúncia ainda será examinada pela Justiça. Se for recebida, o piloto passará à condição de réu e poderá apresentar sua defesa antes das próximas etapas do processo. As acusações não representam condenação.
