A descoberta de um rato morto dentro de um bolo comprado em uma confeitaria de Porto Alegre provocou uma investigação policial, a interdição de um estabelecimento e a prisão de uma empresária de 41 anos. O caso veio à tona após um homem de 35 anos e uma mulher de 25 anos encontrarem o animal enquanto consumiam o produto. A ocorrência mobilizou a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária, que identificaram problemas nas condições de higiene de estabelecimentos ligados à suspeita.

Durante as fiscalizações, agentes encontraram fezes de roedores, alimentos vencidos e outras irregularidades sanitárias em endereços localizados na Zona Sul e no Centro da capital. Uma das unidades, situada na Cavalhada, foi interditada. A delegada Milena Simióli, responsável pela investigação, informou que a hipótese de contaminação intencional foi descartada. Conforme a apuração, o rato pode ter caído na massa durante o preparo do bolo, possivelmente ao tentar fugir de um forno.

Apesar de os dois consumidores não apresentarem sintomas inicialmente, ambos passaram por exames para verificar possíveis contaminações. A preocupação envolve especialmente a leptospirose, doença infecciosa causada por uma bactéria presente na urina de animais infectados, principalmente ratos. Entre os sintomas estão febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos. As manifestações podem surgir entre um e 30 dias após a exposição, sendo mais comuns entre sete e 14 dias. Em situações graves, a infecção pode provocar comprometimento dos rins, hemorragias e complicações respiratórias.

A Polícia Civil segue investigando as condições de funcionamento dos estabelecimentos e as responsabilidades pelo ocorrido. Conforme a delegada, a empresária possui outras franquias pelo Estado, mas a apuração está concentrada nos locais sob suspeita. A orientação de saúde é que pessoas com possível exposição à bactéria procurem atendimento médico caso apresentem sintomas, informando o contato de risco. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar a evolução da leptospirose para quadros mais graves.