Reforma tributária exigirá adaptação de sistemas das empresas para novo imposto
Conselho gaúcho debate apuração do IBS, que deverá processar 2,7 bilhões de registros por mês em 2027
Empresas terão de adaptar processos e sistemas para a apuração do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), criado pela reforma tributária. O tema foi debatido na 26ª reunião do Conselho de Boas Práticas Tributárias, realizada na terça-feira, 3 de novembro, em Porto Alegre, com representantes da Receita Estadual, da Procuradoria-Geral do Estado e de setores econômicos.
Segundo a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, o sistema de apuração do IBS deverá processar mais de 2,7 bilhões de registros a cada 30 dias em 2027, incluindo cerca de 1,4 bilhão de notas fiscais de consumidor eletrônicas. A apuração será pré-preenchida, detalhada por operação e consolidada pelo CNPJ raiz. Caberá às empresas conferir os dados e corrigir possíveis divergências.
O encontro também abordou o aproveitamento de créditos tributários. O mecanismo de recolhimento pelo adquirente (RAD) poderá permitir a antecipação do pagamento para obtenção do crédito, independentemente do recolhimento pelo fornecedor. As empresas deverão avaliar os efeitos dessa opção sobre o fluxo de caixa.
Outro assunto foi a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal previsto na reforma. Durante a reunião, foi apresentada uma estimativa de 11,3% para a alíquota de referência, e não uma alíquota definitiva.
O conselho discutiu ainda ações contra o comércio irregular, o contrabando e a falsificação de produtos, além de dificuldades para interceptar cargas e responsabilizar empresas envolvidas em operações ilícitas.
Na área de regularização fiscal, o programa Acordo Gaúcho já soma R$ 2,044 bilhões em valores negociados. O terceiro edital, voltado a débitos de ICMS, contabiliza aproximadamente R$ 459,7 milhões em negociações, dos quais R$ 69,9 milhões já foram arrecadados. O prazo de adesão foi prorrogado até 18 de dezembro.
O Conselho de Boas Práticas Tributárias reúne representantes do poder público e de entidades empresariais e profissionais para debater questões tributárias. A próxima reunião está prevista para dezembro.
Fonte: Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (Sefaz/Receita Estadual).
