Representantes da indústria, do agronegócio e de entidades empresariais brasileiras participam, nesta segunda-feira, 6 de julho, e na terça-feira, 7 de julho, de audiências públicas nos Estados Unidos para tentar barrar a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

A medida está em análise pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, e a decisão final é esperada para quarta-feira, 15 de julho. As audiências ocorrem em Washington, na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, reunindo representantes de setores brasileiros e americanos.

Entre os participantes estão entidades ligadas ao agronegócio, calçados, indústria, máquinas, madeira, café, etanol, rochas naturais e produtos florestais. A proposta foi apresentada no âmbito de uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O governo dos Estados Unidos aponta questionamentos relacionados a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, caso as medidas sejam implementadas, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderão ficar sujeitas a novas tarifas. Parte dos produtos poderia chegar a uma carga adicional de até 37,5%, considerando a combinação de diferentes medidas em análise.

A Amcham Brasil estima que a sobretaxa de 25%, se confirmada, pode atingir cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano, o equivalente a 35% das importações dos Estados Unidos originárias do Brasil.

Entre os setores mais expostos estão indústria de base, máquinas e equipamentos, agronegócio, produtos florestais e alimentos processados. No Rio Grande do Sul, a preocupação é ainda maior. Levantamento da Farsul aponta que 81,1% das exportações totais do estado para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 1,34 bilhão, estariam dentro do escopo da proposta.

O impacto tarifário potencial sobre o Rio Grande do Sul é estimado em US$ 334 milhões. Os produtos gaúchos mais vulneráveis são o fumo não manufaturado tipo Virgínia, a madeira serrada de pinus, os calçados de couro, o fumo tipo Burley e o sebo bovino.

Conforme a análise, a maior exposição do estado ocorre porque itens importantes da pauta nacional, como carne bovina, café, suco de laranja e fertilizantes, aparecem entre as exclusões preliminares, enquanto setores fortes na economia gaúcha seguem mais expostos.

O setor produtivo defende que a aplicação da tarifa pode reduzir a competitividade das empresas brasileiras, encarecer produtos para compradores americanos e gerar insegurança nas cadeias de exportação. As entidades apostam no diálogo técnico com o governo dos Estados Unidos para tentar ampliar a lista de exceções ou evitar a aplicação da medida.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria, Amcham Brasil e Farsul.