Risco de super El Niño dispara e acende alerta para cheias no RS
Boletim da NOAA aponta 81% de chance de um episódio muito forte no fim de 2026, com possibilidade de impactos prolongados no sul do Brasil
O avanço do aquecimento no Oceano Pacífico colocou o Rio Grande do Sul em estado de atenção. Segundo boletim atualizado nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026 subiu para 81%, acima dos 63% estimados anteriormente. Esse cenário ocorre quando a temperatura da superfície do mar fica pelo menos 2°C acima da média histórica, condição associada ao chamado super El Niño.
Embora a NOAA ressalte que eventos intensos não provocam os mesmos efeitos em todas as regiões, o fenômeno tende a aumentar as chances de situações já esperadas, como chuvas volumosas, enchentes e deslizamentos no sul do Brasil. Atualmente, a região de referência do Pacífico já registra 1,2°C acima da média, patamar considerado moderado, enquanto o aquecimento abaixo da superfície continua avançando e pode funcionar como combustível para fortalecer ainda mais o sistema climático.
A duração também preocupa especialistas. O relatório indica 97% de chance de o El Niño seguir ativo até o começo da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, período equivalente ao outono no Hemisfério Sul. Para o hidrólogo Fernando Fan, do IPH/UFRGS, o longo tempo de atuação amplia os meses de risco no Estado. Estudos do instituto apontam que, durante o El Niño, a probabilidade de cheias no Rio Grande do Sul pode dobrar — um evento que normalmente ocorreria uma vez a cada dez anos, por exemplo, pode passar a ter chance equivalente a uma vez a cada cinco anos. Diante disso, ganham urgência planos de contingência, monitoramento, alertas preventivos e obras de contenção.
