“O coro foi crescendo junto com as crianças”, diz criador do Sementes do Amanhã, que celebra 10 anos em Veranópolis
Projeto social criado em 2016 chega à primeira década com programação especial, coro adulto, documentário e exposição sobre a trajetória construída pela comunidade
Há dez anos, um pequeno grupo formado por crianças da catequese iniciava os primeiros ensaios em Veranópolis. O que nasceu como uma atividade voltada a um público específico ultrapassou os muros da igreja, tornou-se um projeto social aberto à comunidade e hoje reúne cerca de 60 cantores entre crianças, adolescentes e adultos. Em 2026, o Coro Sementes do Amanhã comemora a primeira década de história com uma programação especial que celebra não apenas o projeto, mas as pessoas que ajudaram a construí-lo.
Para o regente e fundador Lucas Nunes, os dez anos representam também uma caminhada pessoal.
— O coro sempre foi e continua sendo a minha casa. Foi dentro dele que eu me descobri como músico, fui aprendendo a reger, testando metodologias e crescendo junto com o grupo. Hoje ele também é o meu lugar de realização profissional — relembra.
Criado em 2016, quando Lucas ainda cursava a graduação em Música pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o projeto cresceu ao mesmo tempo em que ele iniciava a carreira como professor na rede municipal de ensino.
— Eu conseguia viver, ao mesmo tempo, a educação musical nas escolas e o trabalho diretamente com o canto coral. Isso me deu muitas ferramentas para o que faço hoje.
Um projeto que cresceu junto com as crianças
Ao longo da última década, o Sementes do Amanhã mudou de formato diversas vezes. Inicialmente voltado apenas a crianças da catequese, o grupo passou a incorporar repertórios da música popular, abriu espaço para participantes de diferentes origens e se transformou em um projeto social mantido pela SAMEVE, com apoio da AABB e do Movimento de Cursilhos de Cristandade.
Além de crescer em número de participantes, o projeto acompanhou o crescimento das próprias crianças. Quem entrou no coro ainda pequeno tornou-se adolescente. Depois, adulto. Em vez de perder esses integrantes, o projeto foi ampliando horizontes. Hoje são três modalidades: infantil, juvenil e, como novidade, o coro adulto.
— Abrir o coro adulto foi um presente pelos dez anos. Muitos jovens já não se encaixavam mais no grupo juvenil e eu precisava tomar uma decisão: ou eles continuavam cantando ou acabariam deixando o projeto. A gente escolheu continuar cantando — conta.

Dez anos para celebrar
A comemoração da primeira década foi planejada ao longo de mais de um ano e será distribuída em diferentes momentos do segundo semestre. Nos dias 15 e 16 de agosto, a comunidade de Vila Azul recebe mais uma edição do tradicional Encontro de Coros. No dia 15, sábado, também será realizada a Janta dos 10 Anos, aberta à comunidade, reunindo cantores, ex-integrantes, familiares e apoiadores do projeto.
A escolha do local não é por acaso. Foi justamente na comunidade de Vila Azul que aconteceu um dos primeiros encontros de coros promovidos pelo grupo, em 2019.
— Fazer cultura, principalmente no interior, nunca foi fácil. Por isso a gente entende que completar dez anos merece ser celebrado — afirma.
Em novembro, a programação continua com uma exposição na Casa da Cultura reunindo figurinos, fotografias, partituras e objetos que marcaram a trajetória do grupo. No mesmo período será lançado um documentário contando a história do projeto e realizado um concerto comemorativo com músicas que marcaram a última década.
Arte como espaço de encontro
Para Lucas, um dos maiores desafios atuais é mostrar que a arte continua sendo um espaço de convivência em uma sociedade cada vez mais conectada às telas.
— A tecnologia é fantástica, mas ela nunca vai substituir aquilo que um ser humano constrói junto com outro. A arte carrega histórias, emoção e muitas camadas que nenhuma inteligência artificial consegue reproduzir — defende.
Ele acredita que, justamente por isso, atividades culturais seguem despertando interesse de crianças, jovens e adultos.
— Quando a gente para e olha para dentro, acaba buscando a arte. Ela é um espaço de encontro, de expressão e também de descoberta de quem somos — pontua.
Próximo capítulo já está sendo escrito
Enquanto celebra a primeira década, o Sementes do Amanhã já prepara o futuro. Um novo espetáculo está sendo desenvolvido para 2027 e promete apresentar um repertório diferente de tudo o que o grupo já levou ao palco. Mas, antes de iniciar um novo ciclo, Lucas acredita que era preciso olhar para trás.
— A gente quis parar um pouco para celebrar. Esses dez anos só aconteceram porque muita gente acreditou nesse projeto. Agora é hora de comemorar essa história junto com toda a comunidade — encerra.
