Uma mulher de 69 anos resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, receberá cerca de R$ 645 mil em verbas indenizatórias e rescisórias. A vítima trabalhou durante 52 anos em uma residência sem remuneração e sem acesso a direitos trabalhistas fundamentais. A operação foi deflagrada após denúncia e conduzida pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ).

Ao longo de mais de cinco décadas, a idosa desempenhou afazeres domésticos, cuidou do filho da empregadora na infância e, mais recentemente, atuou como cuidadora da proprietária do imóvel. A fiscalização refutou a alegação da família de que a mulher era considerada “parte da família”, caracterizando vínculo laboral sem garantias legais. Devido à rotina impostas, a vítima permaneceu sem escolarização e sem assistência médica.

O acordo assinado com o MPT prevê o pagamento de R$ 500 mil em rescisão, dos quais R$ 60 mil foram quitados de imediato e o restante parcelado. O pacto também garante o recolhimento retroativo do FGTS desde 2015 e o pagamento de uma pensão vitalícia equivalente a 75% do salário mínimo, avaliada em R$ 145 mil com base na expectativa de vida.