Prefeitura de Cotiporã esclarece situação da ponte com Bento Gonçalves e detalha próximos passos
Equipe técnica estima danos em cerca de 5% da estrutura e aguarda redução do nível do Rio das Antas para concluir a inspeção dos pilares
A Prefeitura de Cotiporã realizou, na noite desta segunda-feira (3), uma transmissão ao vivo para apresentar esclarecimentos técnicos sobre a situação da ponte sobre o Rio das Antas, que liga o município a Bento Gonçalves e foi afetada pelas fortes chuvas registradas em julho.
O prefeito José Carlos Breda participou da transmissão acompanhado por profissionais das áreas de engenharia e arquitetura. O objetivo foi explicar as condições atuais da estrutura, esclarecer informações que circulavam na comunidade e apresentar as medidas que estão sendo adotadas para garantir a recuperação segura da travessia.
A administração municipal destacou que o acesso entre Cotiporã e Bento Gonçalves passou a desempenhar um papel estratégico para a mobilidade regional, especialmente após a queda da Ponte Santa Bárbara, na ERS-431, em setembro de 2023, e diante dos frequentes bloqueios registrados na BR-470 em razão de deslizamentos.
Durante a transmissão, a equipe técnica afirmou que os eventos climáticos ocorridos em 2023, 2024 e julho de 2026 superaram as projeções utilizadas em estudos hidrológicos anteriores, reforçando a necessidade de soluções capazes de enfrentar cheias cada vez mais intensas.
O engenheiro Jeferson Dal Bello explicou que a ponte reconstruída e inaugurada em dezembro de 2024 foi executada dentro das regras de restabelecimento estabelecidas pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
O repasse federal para a obra foi de aproximadamente R$ 4,58 milhões. Por se tratar de um recurso emergencial destinado ao restabelecimento da ligação, o projeto precisava manter dimensões semelhantes às da estrutura anterior, não permitindo, naquele momento, a construção de uma ponte mais alta e acima da cota de inundação.
O planejamento inicial previa o aproveitamento de parte dos pilares remanescentes. No entanto, avaliações realizadas durante a execução apontaram a necessidade de reconstrução de pilares e de um trecho da estrutura. Para viabilizar essas adequações, foram realizados investimentos adicionais, elevando o valor total da obra para mais de R$ 5 milhões.
Segundo a equipe técnica, a ponte reconstruída apresentou desempenho significativamente melhor durante a cheia de julho de 2026. Enquanto a estrutura anterior teria sofrido cerca de 85% de danos durante o evento climático de maio de 2024, os prejuízos verificados na ponte atual foram estimados em aproximadamente 5%.
As avarias identificadas ficaram concentradas no deslocamento de parte do tabuleiro, no reposicionamento dos calços de borracha e na necessidade de substituição de travas mecânicas. Uma vistoria realizada após a cheia já havia constatado uma movimentação de aproximadamente 20 centímetros em um dos tabuleiros.
Dal Bello avaliou que a ponte respondeu de forma satisfatória ao elevado volume de água e ao impacto provocado por árvores, pedras, rejeitos e outros materiais transportados pela correnteza. Conforme o engenheiro, as travas mecânicas instaladas na estrutura foram fundamentais para evitar danos de maior proporção.
A Prefeitura de Cotiporã informou que está finalizando um laudo técnico completo. Antes da definição das intervenções, entretanto, será necessário aguardar uma nova redução do nível do Rio das Antas para permitir a inspeção da parte inferior dos pilares e confirmar as condições de segurança de toda a estrutura.
Após a conclusão do diagnóstico, o município deverá iniciar o procedimento de contratação dos serviços necessários para reposicionar o tabuleiro, substituir os componentes danificados e executar os demais reparos indicados pelos engenheiros, respeitando os prazos e as exigências da legislação.
Além da recuperação da ponte atual, o prefeito José Carlos Breda afirmou que a administração continuará buscando recursos estaduais e federais para uma solução definitiva, com a construção de uma nova ponte acima da atual cota de inundação e dimensionada para suportar eventos climáticos extremos.
O município também trabalha na recuperação do pavimento e dos trechos danificados da estrada que conecta Cotiporã a Bento Gonçalves.
