Uma decisão judicial obtida na noite de terça-feira (4) determinou a suspensão imediata do abate de aproximadamente 600 galos apreendidos em um criatório de Gramado. Quando a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação recebeu a ordem, porém, cerca de 500 aves já haviam sido sacrificadas. Segundo a pasta, os animais que sobreviveram serão devolvidos à propriedade e permanecerão no local até uma definição definitiva da Justiça.

O mandado de segurança foi apresentado pelos advogados do empresário Alexandre Bertoluci Júnior, investigado em um inquérito que apura a possível realização de rinhas. A defesa afirma que os galos da raça mura, avaliados pela investigação entre R$ 20 mil e R$ 30 mil cada, recebiam alimentação adequada, acompanhamento veterinário e manejo especializado. A Polícia Civil, por outro lado, aponta que objetos recolhidos nas diligências, as condições encontradas no criatório e conteúdos publicados em redes sociais e grupos de mensagens reforçam as suspeitas de uso e comercialização das aves para combates.

A apreensão ocorreu porque, conforme a Seapi, os responsáveis não comprovaram a origem dos animais e a propriedade não estava cadastrada no Sistema de Defesa Agropecuária do Estado. O órgão argumenta que a ausência de rastreabilidade dificulta a avaliação de riscos sanitários, incluindo possíveis exposições à influenza aviária. A investigação segue sem prazo para terminar, com depoimentos e perícias ainda pendentes, enquanto o destino de outras aves encontradas durante a operação, que localizou cerca de 1,5 mil galos em Gramado e Igrejinha, permanece em análise.