CPI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha e sessão termina em empurra-empurra

Votação acirrada provoca troca de acusações, ameaça de anulação e suspensão temporária dos trabalhos

A CPI mista do INSS decidiu, por 14 votos a 7, autorizar a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida foi defendida pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que apontou a necessidade de aprofundar apurações após a interceptação de mensagens envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”. Segundo o parlamentar, diálogos mencionariam o repasse de R$ 300 mil destinado à empresa da empresária Roberta Luchsinger, com referência ao “filho do rapaz”, interpretação que levantou suspeitas de possível atuação como “sócio oculto”.

A votação, no entanto, desencadeou um clima de tensão no plenário. Logo após o anúncio do resultado, houve empurra-empurra, troca de empurrões e relatos de agressões, obrigando a suspensão temporária da sessão. Entre os envolvidos no tumulto estavam o deputado Rogério Correa (PT-MG), o relator Alfredo Gaspar, além dos deputados Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ). Luiz Lima afirmou ter sido atingido por um soco, enquanto Rogério Correa reconheceu ter acertado o colega no momento em que era pressionado, pedindo desculpas em seguida. Apesar do episódio, os trabalhos foram retomados minutos depois.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) contestou o placar e solicitou a anulação da votação, alegando divergência na contagem e citando imagens da TV Senado como prova de “contraste” no resultado. Ele afirmou que, se o pedido não fosse aceito, levaria o caso ao presidente do Congresso e ao Conselho de Ética. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rejeitou a contestação e manteve a deliberação, argumentando que a contagem havia sido conferida duas vezes. Na mesma sessão, a comissão também aprovou a convocação de Gustavo Gaspar, ex-assessor de Davi Alcolumbre, e do ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, além de autorizar a quebra de sigilo da própria instituição financeira.

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