Entidades pedem proteção a jornalistas que cobrem internação de Bolsonaro em Brasília
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas públicas cobrando proteção aos repórteres que trabalham em frente ao Hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado.
Segundo a Abraji, jornalistas passaram a receber ameaças e ofensas nas redes sociais após a divulgação de um vídeo por uma influenciadora digital alinhada ao ex-presidente. Na gravação, profissionais que aguardavam informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro foram acusados de desejar a morte do ex-presidente.
O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que possui milhões de seguidores nas redes sociais.
A associação classificou a divulgação como irresponsável, afirmando que o vídeo foi deturpado e expôs jornalistas que estavam apenas exercendo seu trabalho a ataques e difamações.
De acordo com a entidade, as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital. Pelo menos duas repórteres relataram ataques presenciais após serem reconhecidas na rua.
Ainda segundo a Abraji, montagens e vídeos produzidos com inteligência artificial também foram divulgados, incluindo conteúdos que simulam violência contra jornalistas. Além disso, imagens de familiares de profissionais da imprensa estariam sendo usadas para intimidar e assediar os repórteres.
Em nota conjunta, Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal pediram reforço da segurança no local e destacaram que é dever do Estado garantir a proteção de profissionais que atuam em locais de interesse jornalístico.
As entidades também solicitaram investigação das ameaças e punição dos responsáveis, além de cobrarem que empresas de comunicação ofereçam suporte jurídico e condições seguras de trabalho aos jornalistas.
Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star desde sexta-feira, 13 de março, tratando uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa.
Segundo o boletim médico mais recente, o quadro clínico é considerado estável e houve melhora na função renal, embora os médicos tenham ampliado a dosagem de antibióticos após aumento de marcadores inflamatórios no sangue.
Ainda não há previsão de alta da UTI. Após a recuperação, ele deverá retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.
Fonte: Agência Brasil. 📰
