Inquérito da Corregedoria da BM conclui que não houve crime no caso de agricultor morto por PMs em Pelotas
Operação policial termina em morte e investigação aponta falhas graves, mas sem crime militar Corregedoria identifica erros de planejamento e recomenda punições disciplinares a envolvidos
A investigação interna conduzida pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar concluiu que não houve crime militar na ação policial que resultou na morte do agricultor Marcos Nornberg, em Pelotas, no dia 15 de janeiro. O caso ocorreu após agentes entrarem em uma propriedade rural acreditando que o local servia como base para uma quadrilha de roubos de veículos. Apesar da intensidade da ocorrência e da entrada sem mandado judicial durante a madrugada, o relatório aponta que a intervenção foi considerada justificável diante da suspeita de flagrante delito.
Segundo o inquérito, a reação do agricultor ao perceber a presença dos policiais — acreditando tratar-se de criminosos — teria provocado a troca de tiros, levando os agentes a agir em legítima defesa. A análise também descartou indícios de tortura contra a esposa da vítima e rejeitou a hipótese de execução. Perícias indicaram que os disparos ocorreram durante o confronto e não após a vítima estar caída, reforçando a conclusão de que a situação se desenvolveu em meio a uma ação policial mal planejada.
Mesmo sem caracterizar crime, o relatório destacou falhas significativas de planejamento, inteligência e comando na operação, incluindo ausência de análise prévia do cenário e decisões consideradas precipitadas. Diante dessas irregularidades, a recomendação é que cinco dos 18 policiais envolvidos recebam punições disciplinares, podendo inclusive ser excluídos da corporação. O documento ainda será avaliado pelo comando da Brigada Militar e, paralelamente, o caso segue sob investigação da Polícia Civil e pode ter novos desdobramentos a partir da análise do Ministério Público.
