Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) aponta que a macela pode estar com os dias contados devido à colheita predatória. Segundo o estudo, o costume de colher a planta na sexta-feira, 3 de abril, ocorre justamente durante o período de floração, impedindo que o ciclo natural de reprodução se complete. O doutor em Botânica, Jair Putzke, destaca que a ausência de áreas de plantio específicas agrava o cenário, tornando a espécie vulnerável ao desaparecimento precoce.

Além do risco ambiental, especialistas alertam para os perigos à saúde humana quando a planta é coletada em beiras de estradas e rodovias. Nesses locais, as flores podem acumular altos níveis de chumbo e outros metais pesados expelidos por automóveis, o que anula as propriedades medicinais da erva e causa danos ao organismo. Para garantir a segurança e a eficácia do chá, a recomendação é buscar fornecedores que comprovem a procedência da planta e evitar locais de poluição urbana.

A macela é amplamente utilizada na medicina popular por suas propriedades anti-inflamatórias, digestivas e calmantes, sendo também aplicada na indústria de cosméticos. Para preservar as características fitoterápicas por até dois anos, a orientação técnica é armazenar os ramos secos em sacos de papel, protegendo-os de fungos e poeira. A conscientização sobre o consumo responsável e o estímulo ao cultivo doméstico são apontados como as únicas formas de manter a tradição viva sem extinguir a espécie.