Em entrevista à revista alemã Der Spiegel publicada nesta quinta-feira, 16 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a postura de Donald Trump no cenário internacional. Lula afirmou que o líder norte-americano “não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo” e ressaltou que quem paga a conta dos conflitos são as populações mais pobres da América Latina e da África. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o presidente brasileiro embarcou para uma agenda oficial na Europa.

Lula defendeu uma mudança profunda na composição do Conselho de Segurança da ONU, questionando o fato de os membros permanentes serem os maiores produtores de armas e protagonistas de invasões recentes. O presidente relatou ter buscado diálogo com líderes da China, Rússia e França para convocar uma reunião sobre o conflito envolvendo o Irã, mas lamentou a falta de coordenação global. “É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”, comparou o mandatário.

Sobre a crise energética em Cuba, Lula descartou o envio de petróleo brasileiro para evitar sanções à Petrobras no mercado internacional, mas confirmou que pode enviar medicamentos e alimentos à ilha. O presidente reforçou que o objetivo central de sua política externa é preservar a paz e evitar que o mundo se transforme em um “campo único de batalha”. A entrevista repercutiu o posicionamento do Brasil como um defensor de soluções multilaterais e da soberania das nações diante das pressões das grandes potências.