Onda de calor marinha extraordinária no Pacífico acende alerta para El Niño em 2026
Anomalia térmica com águas até 4°C acima da média se estende por milhares de quilômetros na costa da América do Norte
Uma intensa e precoce onda de calor marinha no Oceano Pacífico está mobilizando meteorologistas e climatologistas nesta terça-feira, 28 de abril. O fenômeno apresenta águas excepcionalmente quentes que se espalham da Califórnia ao México, atingindo profundidades que armazenam energia suficiente para sustentar o aquecimento por longos períodos. Segundo a MetSul Meteorologia, essa configuração funciona como combustível para um El Niño precoce, com potencial para se consolidar como um evento forte e duradouro ainda durante o inverno do Hemisfério Sul.
A anomalia térmica já registra recordes históricos em séries de medição superiores a cem anos, com temperaturas superficiais até 4°C acima da média em regiões como a Baja California. O cenário é impulsionado pelo Pacific Meridional Mode (PMM), padrão que favorece o enfraquecimento dos ventos alísios e permite a expansão de águas quentes em direção à faixa equatorial. Cientistas alertam que a combinação entre a variabilidade natural e o aquecimento global induzido por atividades humanas torna esses eventos mais frequentes e severos, alterando ecossistemas inteiros e cadeias alimentares oceânicas.
Os impactos de um El Niño intenso são globais e preocupam especialmente a América do Sul. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma provocar chuvas acima da média, enchentes e temporais severos, enquanto as regiões Norte e Nordeste tendem a enfrentar secas prolongadas e calor excessivo. Além dos riscos climáticos, a onda de calor já causa efeitos ambientais visíveis, como o deslocamento de espécies marinhas e o aumento da mortalidade de aves por falta de alimento, sinalizando um período de extremos climáticos amplificados para o restante de 2026.
