A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã negou, nesta segunda-feira, 4 de maio, a informação divulgada pelos Estados Unidos de que navios comerciais com bandeira norte-americana teriam passado pelo Estreito de Ormuz com apoio de navios de guerra dos EUA.

Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que nenhum navio comercial ou petroleiro passou pelo Estreito de Ormuz nas últimas horas e classificou as alegações das autoridades americanas como “infundadas e completamente falsas”.

Horas antes, o Comando Central dos Estados Unidos, responsável pela atuação militar norte-americana no Oriente Médio, havia informado que navios de guerra teriam escoltado dois navios mercantes de bandeira americana na travessia pelo estreito. A ação faria parte do plano anunciado por Donald Trump, no domingo, 3 de maio, para restabelecer o comércio na região.

Segundo os militares dos EUA, a missão envolve navios de guerra de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves terrestres e marítimas e cerca de 15 mil militares.

Em resposta, a Guarda Revolucionária divulgou um mapa com uma nova área de controle marítimo sobre Ormuz, estabelecendo duas linhas de segurança que funcionariam como novas fronteiras de controle do estreito.

A disputa ocorre em meio ao aumento da tensão na região. Pelo Estreito de Ormuz transitava até 20% do petróleo do planeta, o que fez o mercado reagir rapidamente. O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 5% nesta segunda-feira e ultrapassou os US$ 114.

Ao anunciar o plano para reabrir o comércio em Ormuz, Trump ameaçou reagir caso a navegação fosse impedida. Autoridades iranianas, por outro lado, afirmam que a reabertura do estreito não pode ocorrer por meio de publicações em redes sociais, mas sim a partir de uma negociação que coloque fim definitivo ao conflito, incluindo a frente no Líbano.

Um dos principais comandantes do Irã, o major-general Ali Abdollahi, orientou navios comerciais e petroleiros a não tentarem passar pelo Estreito de Ormuz sem coordenação com as Forças Armadas iranianas estacionadas na região, alegando risco à segurança.

Também há relatos de dois navios comerciais atacados no Estreito de Ormuz em 24 horas. A Marinha iraniana afirma ter impedido a passagem de navios estadunidenses-israelenses e atingido um navio de guerra dos EUA no Golfo do Omã. Os militares norte-americanos negam terem sido afetados.

Fonte: Agência Brasil