A presença da superbactéria Acinetobacter baumannii em quatro pontos do Guaíba chamou a atenção de pesquisadores e autoridades de saúde em Porto Alegre, mas especialistas reforçam que o risco para pessoas saudáveis é mínimo. A bactéria foi identificada em áreas de água natural nas praias do Lami e de Ipanema, além de pontos próximos à foz do arroio Dilúvio e à EBAP Menino Deus, durante análises do projeto ClimaRes WaSH, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS. As coletas não envolvem a água tratada distribuída pelo Dmae, que passa por processo de potabilização antes de chegar às residências.

Considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das bactérias mais perigosas do mundo, a Acinetobacter baumannii é encontrada em ambientes como água, solo e vegetação, mas costuma provocar infecções principalmente em pessoas debilitadas ou imunocomprometidas, especialmente em ambiente hospitalar. Segundo especialistas da UFRGS, casos em indivíduos saudáveis são raros, e a preocupação maior está ligada ao contato com água não tratada, esgoto ou locais impróprios para banho. Entre as infecções associadas à bactéria estão quadros respiratórios, urinários, cirúrgicos e de corrente sanguínea, sobretudo em pacientes vulneráveis.

A descoberta também levantou a hipótese de relação com a bactéria identificada na UTI do Hospital Fêmina, fechada temporariamente no fim de abril após a morte de um bebê prematuro. Pesquisadores avaliam que falhas na infraestrutura sanitária podem favorecer a chegada desse tipo de microrganismo ao ambiente, possivelmente por meio de extravasamentos de esgoto. O projeto seguirá monitorando os pontos analisados para verificar se a contaminação é contínua ou pontual, enquanto o Dmae iniciou uma nova rodada de testes de balneabilidade no Guaíba, sem que haja, até o momento, relação direta entre essa bactéria e os parâmetros legais usados para avaliar as condições de banho.