Câmara de Fagundes Varela aprova relatório de CPI que recomenda cassação de vereador
Relatório final foi aprovado por unanimidade e aponta quebra de decoro parlamentar, falsidade ideológica e improbidade administrativa no recebimento de diária de viagem
A Câmara Municipal de Vereadores de Fagundes Varela aprovou, por unanimidade, em sessão ordinária realizada na terça-feira, 19 de maio, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) nº 001/2026, que recomenda a cassação do mandato do vereador Diego Russi.
O documento concluiu que o parlamentar cometeu quebra de decoro parlamentar, falsidade ideológica e improbidade administrativa ao receber indevidamente uma diária de viagem no valor de R$ 221,45.
A investigação foi aberta em fevereiro de 2026 para apurar fatos ocorridos em quarta-feira, 17 de dezembro. Na data, Diego Russi solicitou e recebeu o valor para uma agenda oficial na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, alegando reuniões com deputados.
No entanto, denúncias indicaram que o vereador teria utilizado o deslocamento para interesses particulares, especificamente para tratar de direitos de um jogador de futebol nas dependências de um clube de futebol.
O relatório, lido pela vereadora relatora Rafaela Benetti Molossi, detalhou as provas reunidas ao longo dos 90 dias de trabalho da comissão. Entre os principais pontos, está a informação oficial da Assembleia Legislativa de que não há registro de entrada do vereador nas dependências do Legislativo estadual na data informada.
A CPI também ouviu um assessor parlamentar, que confirmou ter encontrado Diego Russi em Porto Alegre. Conforme o relatório, o encontro ocorreu de forma fortuita, após uma pane mecânica no veículo do vereador, sem que houvesse qualquer demanda oficial do município apresentada.
Testemunhas que acompanhavam o parlamentar no carro também teriam confirmado que o objetivo principal da viagem era particular e que desconheciam qualquer agenda oficial de Russi.
A defesa alegou que uma falha no veículo impediu o cumprimento do compromisso oficial. Porém, a CPI refutou o argumento, destacando que o carro teria apresentado problema a apenas 3,5 quilômetros da Assembleia Legislativa, o que permitiria ao vereador completar o trajeto de táxi ou por aplicativo, caso houvesse real interesse público.
O relatório final afirmou que o vereador agiu de forma consciente e deliberada ao inserir informações falsas em documentos públicos para manter o recurso em seu patrimônio. A comissão também citou a Súmula 599 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual o princípio da insignificância não se aplica a crimes contra a administração pública, independentemente do baixo valor envolvido.
Com a aprovação do relatório, foi determinada a abertura de processo ético-disciplinar visando à cassação do mandato de Diego Russi por quebra de decoro parlamentar. O caso também será encaminhado ao Ministério Público, para apuração de possíveis crimes de estelionato e falsidade ideológica.
Durante sua sustentação oral, Diego Russi afirmou que jamais agiu de má-fé ou tentou se enriquecer às custas do poder público. O vereador também declarou que pretendia ressarcir o valor ao final do processo.
O projeto de resolução que valida o relatório foi aprovado por todos os vereadores presentes na sessão.
