A Corte de Cassação de Roma, última instância do Judiciário na Itália, negou em decisão definitiva o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro contra a ex-deputada federal Carla Zambelli. A decisão reverte um entendimento de abril, quando a justiça italiana havia autorizado o envio. Com o novo despacho, a Corte encerra as possibilidades de envio da parlamentar cassada ao Brasil por vias administrativas e judiciais ordinárias. A ex-deputada encontra-se detida em uma unidade prisional em Roma desde julho, após ter sido alvo de um mandado de prisão internacional expedido a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta semana, o ministro do STF Alexandre de Moraes havia determinado que o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Justiça e Segurança Pública adotassem providências para efetivar a extradição. No ano passado, a parlamentar foi condenada pelo STF por ter perseguido, com uma arma em punho, um homem pelas ruas de São Paulo no ano de 2022. A decisão final sobre o caso caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que possui o prazo de 45 dias para deferir ou negar o procedimento.

Zambelli deixou o Brasil em 5 de junho de 2025, viajando para os Estados Unidos e, na sequência, desembarcando na Itália vinda de Miami. O deslocamento ocorreu logo após a emissão da sentença do STF com a ordem de prisão. Os magistrados italianos registraram que a ex-deputada aproveitou uma janela em que o alerta vermelho da Interpol ainda não constava nos sistemas de controle dos aeroportos, o que permitiu que ela cruzasse a imigração sem ser detectada pelas autoridades locais.