O episódio de El Niño de 2026-2027, que inicia com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, trará impactos diferentes do evento anterior ocorrido em 2023-2024. A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA) deve declarar formalmente o começo do fenômeno na primeira ou segunda semana de junho, período em que estará plenamente configurado. De acordo com a MetSul Meteorologia, a anomalia atual atinge +0,5°C pelo novo critério de monitoramento (Índice Niño Oceânico Relativo) e +0,9°C pelo método tradicional, consolidando a fase quente do oceano.

Diferente do impacto tradicional de tempo extremamente seco, as projeções apontam que as regiões Centro-Oeste e Sudeste do país terão chuva acima ou muito acima da média nos próximos meses. O consenso entre os modelos climáticos indica volumes mais altos do que o habitual para a temporada seca, especialmente nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. A mudança contradiz o comportamento histórico dessas áreas, onde a precipitação costuma ser severamente reduzida entre o fim do outono e o começo da primavera.

Na Região Sul, o fenômeno não deve trazer surpresas e manterá o padrão de chuva excessiva com alto risco de enchentes no segundo semestre. O estado do Paraná será o primeiro a sofrer as consequências do excesso de precipitação nos próximos 30 a 45 dias, principalmente na porção oeste. Posteriormente, durante o inverno e a primavera, a intensidade da chuva aumentará em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, com elevado potencial para cheias de rios e deslizamentos de terra.