“Nosso suor jogado no lixo”: casal de produtores chora após ter 500 kg de queijo descartados
Produtores rurais de São João do Manteninha, em Minas Gerais, afirmam que a produção artesanal foi recolhida pela Vigilância Sanitária por falta do selo SIM
Um casal de produtores rurais de São João do Manteninha, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, viralizou nas redes sociais após divulgar vídeos mostrando cerca de 500 quilos de queijo artesanal sendo recolhidos e descartados durante uma ação da Vigilância Sanitária.
Os produtores Edvone e Reginaldo, conhecidos nas redes sociais como “Casal Mineiro”, relataram que toda a produção foi perdida devido à ausência do selo SIM (Serviço de Inspeção Municipal), documento exigido para a comercialização legal de produtos de origem animal.
Segundo o casal, os fiscais não apontaram problemas de higiene, contaminação ou estrutura da queijaria durante a fiscalização.
Em um dos vídeos publicados, a produtora aparece emocionada enquanto as caixas de queijo são levadas para descarte. “A humilhação de ver o suor da gente sendo jogado no lixo é muito dolorosa”, desabafou.
As imagens causaram forte repercussão nas redes sociais e geraram indignação entre produtores rurais, defensores da agricultura familiar e consumidores.
O caso reacendeu o debate sobre a burocracia enfrentada por pequenos produtores de queijo artesanal em Minas Gerais. Muitos afirmam que o processo para conseguir regularização sanitária é lento, caro e sem apoio técnico suficiente, especialmente para quem trabalha em pequena escala no interior do estado.
Minas Gerais é referência nacional na produção de queijo artesanal, tradição reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro e também valorizada internacionalmente pela Unesco. Mesmo assim, produtores relatam insegurança e dificuldades para manter a atividade dentro das exigências legais.
Após a repercussão, centenas de comentários de apoio foram publicados nas redes sociais do casal, muitos deles de outros produtores que afirmam já ter vivido situações semelhantes.
O episódio aumentou a pressão por mudanças nas regras sanitárias e por mais apoio à agricultura familiar e aos produtores artesanais do país.
Fonte: Folha Agrícola
