A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu nesta sexta-feira, 29 de maio, a votação que revisou as circunstâncias da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Por seis votos a favor e uma abstenção, o órgão colegiado aprovou o relatório que determina que JK foi assassinado durante a ditadura militar em 1976. A decisão substitui de forma oficial a tese histórica anterior de que o político mineiro teria falecido em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra.

O documento, que possui mais de mil páginas, servirá de base para que o registro de óbito de JK seja alterado, passando a constar “morte causada pelo Estado” como a causa oficial do falecimento. De acordo com as conclusões apresentadas pela relatora Maria Cecília Adão, as forças militares da época enxergavam o ex-presidente como um “inimigo político” e uma ameaça eleitoral real devido à sua forte possibilidade de vitória no pleito presidencial programado para o ano de 1965, o que motivou sua cassação e posterior perseguição.

A resolução do caso foi detalhada publicamente durante uma entrevista coletiva realizada na sede do Ministério Público Federal, na cidade de São Paulo. Apesar da reviravolta histórica e do avanço obtido pelas investigações nos últimos meses, a família de Juscelino Kubitschek informou que não pretende acompanhar novos desdobramentos ou etapas de apurações sobre o episódio.