Polícia Civil prende seis pessoas em nova fase de operação contra grupo criminoso em Caxias do Sul
Operação Omertà investiga organização criminosa suspeita de extorsões, sequestros, torturas, cobranças violentas e lavagem de dinheiro na Serra Gaúcha

A Polícia Civil prendeu seis pessoas em Caxias do Sul durante a última fase da Operação Omertà, investigação que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em extorsões, sequestros, torturas, cobranças violentas e lavagem de dinheiro na Serra Gaúcha.
A ação foi deflagrada pela 1ª Delegacia de Polícia de Caxias do Sul, com apoio operacional da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), entre quarta-feira, 24 de junho, e quinta-feira, 25 de junho. As seis prisões ocorreram nesta quinta-feira.
A Operação Omertà teve início há aproximadamente oito meses, a partir da apuração de crimes praticados por integrantes de uma organização criminosa que atuava na cobrança de dívidas por meio de violência extrema, grave ameaça e intimidação sistemática das vítimas.
Durante as investigações, foram identificados diversos episódios de extorsão contra empresários e pessoas físicas, especialmente na área central de Caxias do Sul. Conforme a Polícia Civil, estabelecimentos comerciais passaram a ser alvo de cobranças ilegais promovidas pelo grupo.
As apurações apontaram que empresários da região eram submetidos a ameaças, exigências financeiras ilícitas e atos de violência para forçar pagamentos. Em alguns casos, os criminosos teriam utilizado disparos de arma de fogo contra estabelecimentos comerciais, monitoramento da rotina das vítimas e intimidações dirigidas a familiares.
Nesta fase da investigação, a Polícia Civil apurou a atuação de um núcleo criminoso responsável por extorsões de alto valor econômico e por um esquema de ocultação e dissimulação de recursos provenientes das atividades ilícitas.
Segundo a investigação, o grupo utilizava contas bancárias de terceiros para receber e movimentar valores obtidos por meio das extorsões, com o objetivo de dificultar o rastreamento financeiro e dar aparência de legalidade aos recursos.
A Polícia Civil também identificou uma estrutura organizada e hierarquizada, com divisão de funções entre os integrantes. O grupo teria responsáveis pela coordenação das cobranças, arrecadação dos valores, execução das ameaças e gerenciamento da movimentação financeira ilícita.
Parte dos investigados, conforme a polícia, mantinha atuação criminosa mesmo a partir do sistema prisional, o que evidenciaria o grau de organização e capacidade operacional do grupo.
As medidas cumpridas nesta etapa foram autorizadas pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, com base nos elementos de prova reunidos ao longo da investigação.
Além das seis prisões realizadas nesta quinta-feira, a Justiça deferiu medidas patrimoniais para o enfraquecimento financeiro da organização criminosa. Foram determinados bloqueios de ativos financeiros que somam aproximadamente R$ 8 milhões, além do sequestro de dois veículos vinculados aos investigados.
As medidas buscam interromper o fluxo financeiro do grupo, preservar eventual ressarcimento às vítimas e assegurar a efetividade de futuras decisões judiciais relacionadas aos crimes de organização criminosa, extorsão e lavagem de dinheiro.
Com as prisões desta quarta fase, a Operação Omertà chega ao total de 23 investigados presos. Nas três fases anteriores, já haviam sido cumpridas 17 prisões relacionadas aos fatos apurados. Um investigado permanece foragido.
O nome da operação faz referência ao termo italiano “Omertà”, conhecido como código de silêncio associado a organizações mafiosas, simbolizando o ambiente de intimidação imposto às vítimas e testemunhas e a tentativa dos criminosos de impedir a colaboração com os órgãos de investigação.
Fonte e foto: Polícia Civil.






