PF investiga uso de CPFs de 549 mortos em esquema ligado a casa de apostas
Investigação aponta que documentos de pessoas falecidas teriam sido usados em operações de câmbio não autorizadas; Ministério da Fazenda determinou suspensão das atividades da Pixbet
A Polícia Federal investiga o uso de CPFs atribuídos a 549 pessoas já falecidas em operações de câmbio relacionadas a um esquema envolvendo casas de apostas. Segundo a investigação, os documentos teriam sido utilizados para atribuir identidades falsas a terceiros e viabilizar movimentações financeiras não autorizadas.
Em decorrência das apurações, o Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata das atividades da Pixbet.
De acordo com documentos citados na investigação, CPFs de pessoas falecidas há pelo menos 20 anos teriam sido utilizados nas operações. Há ainda indícios de que nomes associados aos documentos foram alterados após um alerta encaminhado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enquanto os números dos CPFs teriam sido mantidos.
A Polícia Federal apura se as identidades foram usadas para viabilizar operações de câmbio não autorizadas e facilitar o envio de recursos ao exterior, o que pode configurar evasão de divisas.
A investigação também aponta suspeitas de lavagem de dinheiro por meio do envio de recursos a uma empresa registrada em Curaçao. Conforme a apuração, valores provenientes de apostas no Brasil teriam sido remetidos ao exterior por empresas de compensação financeira e posteriormente retornado ao país com aparência de pagamentos por serviços.
Segundo o material citado, os serviços supostamente prestados pela empresa estrangeira não teriam sido efetivamente realizados, mecanismo que teria sido utilizado para conferir aparência lícita aos recursos.
As apurações fazem parte da Operação Arena, conduzida pela Polícia Federal para investigar a possível ocultação e destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
Entre os alvos da operação está o advogado Nelson Wilians, que teve uma residência em São Paulo alvo de busca e apreensão. A defesa afirmou que a relação do escritório com a Pixbet era estritamente profissional.
O proprietário da empresa, Ernildo Júnior, também foi abordado por agentes em Campina Grande, na Paraíba, onde houve apreensão de veículo e telefone celular.
A defesa da Pixbet informou que não teve acesso à decisão que autorizou a operação e declarou ter sido surpreendida pela ação. Segundo os advogados, a empresa deverá se manifestar após conhecer integralmente o conteúdo da determinação.
Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações e eventual responsabilização, por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Fonte: Jornal O Sul / g1
