Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo bilionário e fechamento de 298 lojas
Grupo afirma que medida busca reorganizar as finanças e renegociar dívidas; lojas físicas, comércio eletrônico e demais canais de venda devem continuar funcionando
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo na noite de domingo, 16 de agosto. A medida abrange as operações de varejo e outras empresas do grupo e tem como objetivo reestruturar as finanças e renegociar dívidas, preservando a continuidade das atividades.
O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador e protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial.
Em balanço divulgado pela companhia, a Casas Bahia informou ter registrado prejuízo superior a R$ 10 bilhões no segundo trimestre, resultado que inclui impactos de um plano de redimensionamento das operações. Entre as medidas adotadas está o fechamento de 298 lojas em todo o país.
Segundo a empresa, a decisão de recorrer à recuperação judicial foi influenciada pela piora do cenário econômico, juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e redução do consumo.
A companhia também informou que não conseguiu concluir alternativas de captação de recursos que estavam em negociação.
Apesar do pedido, a Casas Bahia afirma que pretende manter em funcionamento as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda, buscando reduzir impactos para clientes e parceiros.
Entre as empresas incluídas no processo estão a Bartira, fabricante de móveis, além de companhias ligadas às áreas de logística, tecnologia e comércio eletrônico.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a empresas em dificuldades financeiras renegociar obrigações sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e preservar as operações.
Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, a decisão ainda deverá ser analisada e ratificada pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
A empresa também anunciou mudanças em sua estrutura de gestão. Fábio Spina deixou a vice-presidência das áreas Jurídica e Tributária, mas deverá continuar prestando consultoria durante o processo de reestruturação. Para o cargo, foi nomeada Sírley Lima, que passa a comandar as áreas Jurídica, Tributária, Compliance e Controles Internos.
Também deixaram o Conselho de Administração Jackson Schneider e Rogério Calderón, com alterações na composição dos comitês internos da companhia.
Fonte: Jornal O Sul
