A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta sexta-feira, 4 de setembro, a importação do medicamento experimental ALN-6457 para o tratamento do influenciador Lito Sousa, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).

A substância é desenvolvida pela Regeneron Pharmaceuticals e ainda não possui registro comercial no Brasil nem representante legal no país. Por esse motivo, a liberação ocorreu por meio de um procedimento excepcional, fora do fluxo convencional de importação de medicamentos.

O ALN-6457 está em fase pré-clínica e ainda não teve estudos formalmente iniciados em seres humanos para o tratamento da doença priônica. Com a autorização, Lito poderá se tornar a primeira pessoa a receber o medicamento experimental.

O pedido de importação foi apresentado pelo Einstein Hospital Israelita, responsável pelo acompanhamento do influenciador, após sua inclusão em um programa de uso compassivo.

Segundo Mila Seidl, esposa de Lito, ela solicitou a inclusão do influenciador no programa e participou da articulação envolvendo o Ministério da Saúde, o hospital, a Anvisa e a agência reguladora norte-americana FDA. A expectativa informada pela família é de que o medicamento chegue ao Brasil em aproximadamente sete a nove dias.

O uso compassivo é um mecanismo que possibilita a pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas disponíveis o acesso a substâncias ainda experimentais, antes da conclusão dos estudos clínicos necessários para comprovar segurança e eficácia em larga escala.

Segundo a Anvisa, a autorização considerou a rápida e irreversível evolução da doença, além da ausência de patrocinador ou representante responsável pelo medicamento no Brasil.

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade rara e progressiva causada por alterações anormais em proteínas chamadas príons, que provocam danos progressivos ao sistema nervoso.

Até o momento, não existe tratamento comprovado capaz de reverter ou interromper a progressão da doença. Dados citados pelo Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 90% dos pacientes evoluem para óbito entre seis meses e um ano após o início dos sintomas.

No Brasil, foram confirmados 547 casos entre 2005 e 2021, com maior concentração de notificações entre pessoas de 55 a 74 anos.

Fonte: Visor Notícias, com informações do g1 e da Anvisa