Extratos de André Mendonça mostram pagamentos a alfaiataria citada em controvérsia envolvendo Daniel Vorcaro
Faturas de cartão apresentadas pelo ministro do STF registram compras no estabelecimento e reforçam sua versão de que pagou pelas próprias roupas
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça apresentou extratos de seu cartão de crédito com registros de pagamentos feitos à alfaiataria que esteve no centro de questionamentos envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.
A controvérsia surgiu após a divulgação de um áudio atribuído ao advogado Ciro Soares, enviado a Vorcaro. Na mensagem, gravada em 2025, o advogado afirmou ter levado Mendonça ao estabelecimento para fazer um terno e disse estar “trabalhando por você”. Cerca de oito meses depois, segundo as informações divulgadas, Vorcaro realizou um pagamento de R$ 500 mil à alfaiataria.
Após a repercussão, Mendonça apresentou duas notas fiscais que somavam R$ 26,4 mil, com o objetivo de demonstrar que havia adquirido as roupas com recursos próprios.
Os documentos passaram a ser questionados após o jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras, apontar que as notas aparecem no sistema da Secretaria da Fazenda de São Paulo com a indicação “sem pagamento”. Em uma delas, o valor registrado no campo referente ao pagamento é de R$ 0.
A indicação, por si só, não comprova que as roupas não tenham sido pagas, mas levantou dúvidas sobre se as notas fiscais seriam suficientes para demonstrar a quitação das compras.
Procurado pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo, André Mendonça disponibilizou faturas de seu cartão de crédito. De acordo com a reportagem, os documentos registram uma compra de R$ 4 mil no sábado, 8 de fevereiro, data em que o ministro teria estado na alfaiataria conforme o áudio divulgado. A fatura seguinte apresenta outra parcela de R$ 4 mil.
Também consta uma compra realizada na sexta-feira, 28 de fevereiro, com uma parcela de R$ 3,3 mil, de um total de três parcelas.
Os extratos apresentados mostram lançamentos da alfaiataria diretamente no cartão de André Mendonça e dão respaldo à versão do ministro de que ele próprio arcou com pagamentos pelas roupas adquiridas no estabelecimento.
A documentação divulgada não estabelece, por si só, relação entre as compras feitas por Mendonça e o pagamento de R$ 500 mil posteriormente atribuído a Vorcaro à alfaiataria.
