Coalizão das Américas mira PCC e Comando Vermelho em ofensiva contra 24 grupos
Iniciativa liderada pelos Estados Unidos prevê bloqueio de ativos, restrições migratórias e maior cooperação internacional contra organizações classificadas como narcoterroristas
Uma articulação formada por Estados Unidos e outros 14 países das Américas anunciou nesta terça-feira (22) uma ação coordenada contra 24 organizações consideradas narcoterroristas pelos governos participantes. Entre os grupos incluídos estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de organizações como MS-13, Tren de Aragua, Cartel de Sinaloa, CJNG, Clan del Golfo, ELN e Sendero Luminoso. O Brasil não integra o grupo de países que assinaram a declaração do Shield of the Americas (Escudo das Américas).
O acordo estabelece que cada governo poderá aplicar medidas de acordo com sua própria legislação e seus compromissos internacionais. Entre as ações previstas estão congelamento de bens e ativos, restrições de vistos e imigração para integrantes, associados e apoiadores das organizações, além da possibilidade de responsabilização criminal de quem fornecer conscientemente apoio material ou logístico aos grupos. A declaração define o enfrentamento dessas organizações transnacionais como a primeira iniciativa conjunta da coalizão.
A parceria também pretende ampliar a troca de informações de inteligência, treinamentos, acesso a tecnologias de segurança e compartilhamento de práticas entre as forças dos países envolvidos. O projeto foi estruturado sobre três frentes — economia, segurança e coordenação multilateral — e inclui ainda discussões sobre controle de investimentos, proteção das cadeias de fornecimento de minerais críticos e regras relacionadas à infraestrutura digital.
No campo diplomático, os participantes planejam solicitar ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) uma reunião para avaliar a criação de um órgão de consulta previsto no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR). A intenção é discutir em nível ministerial mecanismos que facilitem ações coletivas contra as organizações listadas. Países integrantes do Escudo das Américas que não fazem parte do tratado também declararam apoio à iniciativa, respeitando os limites de suas legislações nacionais e obrigações internacionais.
