A defesa de Jair Bolsonaro apresentou ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma solicitação para interromper temporariamente o cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão. A medida é vinculada à revisão criminal protocolada em maio de 2026, que pretende modificar ou anular a condenação definitiva do ex-presidente. Os advogados argumentam que a continuidade da execução da pena enquanto esse processo estiver pendente pode gerar dano irreparável.

Entre os pontos apresentados pela defesa está a contestação ao julgamento realizado pela Primeira Turma do STF. Os advogados sustentam que o processo deveria ter passado pelo Plenário da Corte e também questionam as condições oferecidas para análise das provas. Segundo a defesa, arquivos teriam sido disponibilizados ao longo da tramitação e o conjunto de dados alcançaria aproximadamente 70 terabytes, circunstância apontada como prejudicial ao exercício da defesa.

A condenação que motivou a revisão criminal tornou-se definitiva em novembro de 2025. Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e três meses pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. A revisão criminal pode ser utilizada após o trânsito em julgado e, nas hipóteses previstas em lei, pode levar à anulação da condenação, mudança na classificação dos crimes ou redução da pena.

Desde março de 2026, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, inicialmente concedida para sua recuperação médica e posteriormente mantida pelo STF, com monitoramento eletrônico. A defesa agora busca impedir que a execução da condenação continue produzindo efeitos enquanto Nunes Marques examina a revisão criminal. Até a atualização mais recente da notícia, o pedido de suspensão ainda aguardava decisão do Supremo.