Desabafo de soldado leva Brigada Militar a rever orientação sobre uso de banheiros em Porto Alegre
Regra interna do 11º BPM gerou repercussão após policial relatar constrangimento durante o serviço; corporação afirma que orientação foi interpretada de forma equivocada e já foi retificada
Um relato publicado nas redes sociais por um soldado do 11º Batalhão de Polícia Militar (11º BPM), em Porto Alegre, provocou repercussão e levou a Brigada Militar a revisar uma orientação interna sobre o uso de banheiros durante o serviço. O policial afirmou que uma ordem recente restringia o afastamento das guarnições para necessidades fisiológicas em sedes de companhias, estabelecimentos comerciais e locais semelhantes.
O caso ganhou atenção após o soldado Guilherme Roldão relatar que, por causa de problemas de saúde, estava utilizando um medicamento que aumentava a frequência com que precisava ir ao banheiro. Durante uma jornada de trabalho na zona norte da Capital, ele disse ter evitado utilizar um sanitário que costumava frequentar para não contrariar a determinação. A situação teria se tornado constrangedora quando ele não conseguiu mais adiar a necessidade e precisou comunicar o fiscal responsável.
A repercussão mobilizou entidades representativas de integrantes da segurança pública, que passaram a cobrar esclarecimentos sobre a origem e a abrangência da determinação. Representantes da Associação Sargento Subtenente e Tenente da Brigada Militar e da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf) afirmaram acompanhar o episódio e destacaram que, até então, não havia indicação de que uma orientação semelhante estivesse sendo aplicada em outras unidades da corporação.
Em nota, a Brigada Militar informou que houve uma interpretação equivocada da orientação e que o texto já foi reeditado. A nova redação prioriza a utilização dos sanitários existentes nas sedes do 11º BPM e de suas subunidades, com o argumento de garantir a segurança do efetivo e o controle dos recursos empregados. A corporação acrescentou que a medida não impede o contato ou o policiamento em estabelecimentos comerciais e informou que o episódio permanece em apuração.
