Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos, mas exige divulgação de dados de Janja, Instituto Lula e familiares do presidente
Candidato do PL apresentou condições ao TSE após desafio de Lula e pediu acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas, além de gastos do cartão corporativo da Presidência
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou, nesta quarta-feira (21), uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, desde que determinadas condições sejam atendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação ocorreu em resposta ao desafio lançado pelo petista durante o debate da Band, no domingo (18), e formalizado na Justiça Eleitoral na terça-feira (20). O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do pedido.
Entre as exigências apresentadas, Flávio solicita a divulgação de informações do Instituto Lula, da empresa L.I.L.S. Palestras e de negócios ligados aos familiares do presidente, incluindo o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O candidato também condiciona a abertura de seus dados à apresentação de autorizações de assessores próximos a Lula, entre eles Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Durante uma agenda em Guarulhos, em São Paulo, o senador reforçou publicamente as condições para aceitar a proposta.
A petição também pede a divulgação de gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, registros relacionados à primeira-dama Janja da Silva e informações sobre o uso de aeronaves oficiais. Flávio solicitou ainda documentos referentes a visitas ao Palácio do Planalto, incluindo detalhes de um encontro entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024. Outro ponto envolve registros relacionados à lobista Roberta Luchsinger e ao sindicalista Frei Chico, irmão do presidente, no contexto das investigações sobre irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A disputa pela abertura dos sigilos começou quando Lula propôs divulgar seus próprios dados e informações de familiares e empresas, desde que Flávio Bolsonaro adotasse a mesma medida. O presidente defende que a transparência permita aos eleitores avaliar os candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Apesar das manifestações, a divulgação dos dados ainda depende de providências legais e da análise do TSE, já que a autorização individual não permite automaticamente o acesso a informações protegidas de terceiros.
