Alunos descobrem câmeras em banheiros de escola após direção afirmar que equipamentos eram sensores de fumaça
Estudantes relatam que dispositivos estavam instalados há cerca de três anos; Polícia Civil abriu investigação e Secretaria de Educação determinou vistoria
A descoberta de câmeras de monitoramento nos banheiros de um colégio cívico-militar em Cambé, no Norte do Paraná, provocou preocupação entre estudantes e familiares. O caso foi registrado no Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, onde alunas afirmam que os equipamentos estavam instalados havia aproximadamente três anos. Segundo os relatos apresentados à polícia, a direção da instituição havia informado anteriormente que os dispositivos eram sensores de fumaça, utilizados para identificar possíveis situações de consumo de cigarros nos sanitários.
A suspeita surgiu porque os aparelhos emitiam constantemente uma luz vermelha. Na segunda-feira (19), uma estudante resolveu observar o equipamento mais de perto e identificou uma câmera escondida atrás de uma proteção plástica. Outro aluno conseguiu fotografar o sistema de monitoramento da escola, mostrando imagens que incluíam cabines e espelhos dos banheiros feminino e masculino. Uma das estudantes relatou que já havia trocado de roupa no local e manifestou preocupação com a possibilidade de ter sua privacidade violada. Conforme as alunas, os responsáveis pelos estudantes não haviam autorizado a captação de imagens nesses ambientes.
Em manifestação oficial, a direção do colégio confirmou a instalação dos equipamentos, mas afirmou que as câmeras estavam direcionadas exclusivamente às portas de entrada dos banheiros, sem registrar os espaços destinados às necessidades fisiológicas. A instituição declarou que o objetivo era reforçar a segurança escolar e informou que o estudante responsável por fotografar o painel de vigilância teria acessado a sala de monitoramento sem autorização. A escola também relatou danos aos equipamentos durante a retirada das câmeras e anunciou que as circunstâncias serão apuradas.
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná informou que os dispositivos foram retirados e que não existem imagens armazenadas relacionadas aos equipamentos. Uma equipe do Núcleo Regional de Educação de Londrina programou uma vistoria na escola para esta quarta-feira (21), com o objetivo de verificar a situação e orientar os próximos procedimentos. A Polícia Civil do Paraná instaurou um inquérito para investigar os fatos e esclarecer as circunstâncias da instalação e utilização das câmeras. O caso levanta questionamentos sobre a privacidade dos estudantes e os limites do monitoramento eletrônico dentro de instituições de ensino.
