A reação do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma das sessões de maior turbulência da Bolsa brasileira nos últimos anos. Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa chegou a despencar 17,34%, atingindo 169.516,43 pontos, após investidores revisarem suas expectativas para a economia nacional. A intensidade das perdas levou a B3 a interromper temporariamente as negociações, medida que não era adotada desde março de 2020, durante a crise provocada pela pandemia de Covid-19. Foi a primeira vez que uma eleição presidencial levou ao acionamento desse mecanismo no mercado brasileiro.

A paralisação ocorreu por volta das 10h, quando o principal índice da Bolsa acumulou desvalorização de 10% em comparação com o fechamento anterior. O procedimento, conhecido como circuit breaker, suspendeu as operações por 30 minutos para reduzir os efeitos da volatilidade. Pelas regras da B3, caso a queda alcance 15% após a retomada, uma segunda interrupção pode ocorrer por uma hora. Se o recuo atingir 20%, a instituição poderá determinar uma nova suspensão por prazo indeterminado. Mesmo após a reabertura, as vendas continuaram pressionando as cotações, com perdas expressivas em ações de empresas como Petrobras e Banco do Brasil.

Entre os fatores apontados por especialistas está a mudança nas expectativas dos investidores em relação ao resultado eleitoral. Parte dos agentes financeiros vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), diante da expectativa de uma política de gastos públicos menos expansionista. Com a confirmação da vitória de Lula, que conquistou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, houve uma revisão acelerada dos preços dos ativos brasileiros. Analistas consultados pelo mercado destacaram preocupações com o crescimento das despesas governamentais, a trajetória da dívida pública e os possíveis impactos sobre os juros futuros e a cotação do dólar. Essas avaliações representam expectativas dos investidores, e não consequências econômicas já confirmadas do novo mandato.

A dimensão da instabilidade também apareceu nas negociações futuras da Bolsa. O Ibovespa Futuro chegou a apresentar desvalorização de 19,84%, aos 166.800 pontos, após ajustes nos limites de oscilação. No mercado à vista, às 11h48min, o índice registrava queda de 16,15%, aos 171.931,23 pontos, com apenas seis das 76 ações analisadas em valorização naquele momento. A turbulência ocorreu apesar do desempenho positivo de bolsas internacionais e manteve os investidores atentos ao comportamento do câmbio, dos juros e das empresas brasileiras. Os números representam oscilações registradas durante o pregão desta segunda-feira, e não o resultado definitivo de fechamento do mercado.