A Polícia Civil busca acessar o celular do adolescente encontrado morto em Alvorada na manhã desta sexta-feira (21), supostamente após participar do desafio do desodorante na internet. Com o acesso aos dados do telefone, o objetivo é identificar a rede de contatos do menino, que completaria 14 anos hoje.

O corpo do adolescente foi encontrado pelo irmão de 17 anos que dormia no mesmo quarto. Ele contou à Brigada Militar que, ao acordar, viu o irmão roxo e com os olhos abertos, mas que aparentava estar desmaiado. Ele ainda relatou que o irmão estava deitado com um celular em uma mão e com um tubo de desodorante na outra, e que o adolescente costumava participar de desafios na internet. O chamado desafio do desodorante é uma competição de quanto tempo a pessoa aguenta inalar desodorante aerosol.

O delegado Edimar Machado, responsável pela investigação, diz que tentou ouvir os pais em depoimento, mas que, por enquanto, eles estão muito abalados e não conseguiram fornecer nenhuma informação. Os pais e o irmão estão lidando com questões referentes ao sepultamento ao longo do dia.

— A família está muito abalada, sem condições ainda. Eles estão em choque, até porque era aniversário do filho, e ainda decidindo o que vão fazer. Eles não tinham nenhuma condição de esclarecer detalhes para a investigação — afirma.

Agora, a polícia aguarda a recuperação dos pais para que forneçam a senha do celular do adolescente. Se eles não souberem, há outros meios para que a polícia tenha acesso aos dados. O objetivo é identificar se há vídeos sobre o desafio no telefone e se há contatos de pessoas que supostamente o desafiavam.

— O celular é um dos pontos de partida porque é através dele que ele assistia os vídeos. Vamos tentar encontrar algum arquivo ou algum contato, algo que nos ajude na investigação. Dependendo do que encontrarmos, poderemos tentar ouvir essas pessoas envolvidas — detalha.

Todas as informações iniciais apontam para um envolvimento no desafio pela internet, mas a polícia ainda vai buscar mais detalhes. Dependendo da participação das pessoas envolvidas e do tipo de diálogo que elas tiveram com o adolescente, podem ser responsabilizadas por provocar suicídio.

O caso, se confirmado, é semelhante ao da morte da menina Adrielly Gonçalves, sete anos, em São Bernardo do Campo (SP). Em fevereiro deste ano, a morte da garota ascendeu um debate nacional sobre o desafio feito na internet.

Com informações do Portal GaúchaZH.