Sindicato e empresa fazem acordo após funcionária ter sido impedida de ir ao banheiro em Novo Hamburgo
Segundo o Portal G1, o Sindicato dos Sapateiros e Sapateiras de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, fez um acordo com uma empresa após uma funcionária ter sido impedida de ir ao banheiro durante um turno de trabalho, o que fez com que ela urinasse nas calças.
O documento, assinado pelas partes, tem validade de dois anos e determina que “as trabalhadoras e os trabalhadores devem ter livre acesso ao uso do banheiro desde o ingresso ao local de trabalho até a sua saída”.
Em nota a empresa afirmou que “teve o maior interesse em realizar o acordo”. A empresa ainda disse que o ocorrido foi um caso “isolado” e “que todo e qualquer funcionário tem acesso ao banheiro”. Leia abaixo.
Para isso, a empresa deve manter um funcionário coringa para cada 25 trabalhadores na esteira, “ressaltando que a prioridade de quem exerce a função de coringa é o atendimento das substituições junto às esteiras para o uso de banheiros”.
A necessidade do coringa se deve ao fluxo de trabalho, já que não é possível parar a esteira para que o funcionário possa ir ao banheiro.
O documento também prevê um intervalo de 10 minutos de trabalho junto à esteira, sendo que o trabalhador é livre para usufruir do período do modo que achar melhor, não podendo este intervalo ser imposto como para uso do banheiro.
“É uma grande vitória da mobilização e da negociação do Sindicato contra o desrespeito que ainda existe em muitas fábricas, que impedem, em pleno século 21, o livre acesso ao uso do banheiro nos locais de trabalho. O acordo abre também um importante precedente para negociar com os patrões a extensão desse direito ao conjunto da categoria, pois o que aconteceu não foi um caso isolado”, afirma a diretora do Sindicato, Jaqueline Erthal.
Relembre o caso
O caso aconteceu no dia 24 de junho. Segundo o sindicato, uma funcionária da empresa de 19 anos pediu três vezes para ir ao banheiro.
“As empresas têm um sistema de esteira, que alguém precisa ficar no teu lugar para tu ter acesso ao banheiro. E normalmente existem horários, só depois das 16h, ou pela manhã depois das 9h30, por exemplo. Essa menina pediu para ir ao banheiro, disseram que não era hora, ela pediu de novo e não deixaram. Na 3ª vez, quando ela viu já tinha feito xixi nas calças”, conta Jaqueline Erthal.
Depois disso, a funcionária teria ido ao setor de RH para pedir liberação. “Ela teve que passar por toda a empresa para chegar ao RH, em uma situação constrangedora. Liberaram ela para ir embora e ela foi toda mijada em um percurso de 30 minutos até em casa. Isso foi a gota d’água”, diz Jaqueline.
Membros do sindicato fizeram uma manifestação na frente da empresa na última segunda-feira, 28 de junho.
A empresa lamentou o caso e disse que foi “único e isolado”. O sindicato protocolou uma notícia de fato contra a empresa no Ministério Público do Trabalho (MPT-RS), que analisa o caso.
Para esta quinta-feira (8), está marcada uma audiência do MPT com o sindicato.
Nota da empresa:
“A empresa teve o maior interesse em realizar o acordo com o Sindicato pois o objetivo com tal ação é priorizar melhorias que prezem pelo bem-estar do funcionário. O aumento de equipe específica para substituições nas esteiras, a construção de novos banheiros no andar térreo da produção e a implantação de reuniões periódicas com o Sindicato foram propostas sugeridas pela empresa e debatidas com o Sindicato com o intuito de uma conversa e melhoria contínua. Ressaltamos que o caso ocorrido foi isolado, pelo qual lamentamos profundamente e reforçamos também que todo e qualquer funcionário tem acesso ao banheiro. Com o acordo isso está ainda mais claro e documentado.”
